quarta-feira, 31 de julho de 2019

Constantino, o Grande

1. A BATALHA DA PONTE MÍLVIA

Após a declaração de guerra de Magêncio, Constantino avançou contra as suas tropas em direção a Roma.

Segundo os historiadores Eusébio de Cesaréia (265 - 339) e Lactâncio (250 - 325), ambos afirmam que Constantino viu em sonho os símbolos[1] que deveriam ser usados por seu exército para vencer a guerra. Conta o historiador Zósimos (século V) que antes da batalha Magêncio se refugiou no seu castelo para consultar oráculos e videntes, e realizar sacrifícios aos deuses pagãos.[2]

Batalha da Ponte Mílvia
Constantino marcou em seus escudos com a Cruz de Cristo e avançou contra o exército de Magêncio. Quando estavam no embate, se encontrava Magêncio junto com seu exército na Ponte Mílvia, sob o Rio Tibre, que ele mesmo construiu para guerra, no entanto a ponte não aguentou o peso e ruiu, fazendo com que o tirano se afogasse junto com suas tropas.[3]

[1] (Alguns historiadores secundários interpretam Lactâncio afirmando que Constantino teria marcado seus escudos com as letras gregas "X" e "P", que juntas produziam um monograma formando o nome de Cristo)
[2] (Lactâncio, De Morte Persecutorum, 43)
[3] (Zosimus, Nova História)

2. O GOVERNO DE CONSTANTINO

Após a derrota de Magêncio, Constantino acabou por selar a paz com Licínio, por ter ajudado na guerra.

Licínio ficou então como "Augusto" do Oriente em 312, porém se tornou inimigo cruel dos cristãos, Constantino, então protegendo os cristãos, foi a guerra contra Licínio, que acabou se rendendo em 314. Entretanto, Licínio declarou guerra uma segunda vez, foi derrotado em Tessalônica[4] e posteriormente se enforcou.

Constantino, apesar de ter sido influenciado por sua mãe, S. Helena (250 - 330) não se declarou cristão a princípio, nem declarou esta como a religião do Império, porém, protegeu o cristianismo e reconheceu aos cristãos, através do chamado Edito de Milão (313) o direito de culto público, e também, o direito da Igreja Católica possuir terras, de manter autonomia sem interferência do Império em suas leis e de acolher em suas igrejas criminosos e escravos.

Adotou também políticas de Estado vindas da moral cristã, tais como: a proibição da escravidão, a proibição de vender e/ou matar os filhos, seja dentro do ventre da mãe[5] ou fora, auxílio estatal às famílias pobres que não conseguissem criar seus filhos, proibição da crucificação, combates dos gladiadores, etc..[6]

[4] (Atualmente território da Grécia)
[5] (Segundo os costumes da civilização da época, a mulher que não quisesse ter seu filho poderia tomar venenos abortivos que matassem seu filho dentro do seu ventre ainda.)
[6] (J. J. da Rocha, Compêndio da História Universal, Vol. I, Cap. XXXVIII, pg. 185; P. R. Galante, Compêndio da História Universal, "História Romana", P. III, Ep. V, 156)

3. PRIMEIRO CONCÍLIO DE NICÉIA

Surgiu neste meio tempo um diácono de Alexandria chamado Ário (250 - 336), que afirmava hereticamente que N. S. não era Deus, ou seja, negava a divindade de Jesus Cristo. Vendo tamanha confusão causada por essa heresia no Oriente, o Imperador Constantino convoca em 325 o chamado I Concílio de Nicéia, onde propõe para a Igreja resolver o embate que havia até então entre S. Alexandre (250 - 326) que defendia a divindade de Jesus e Ário que negava.

No Concílio estavam presentes 318 padres, que decidiram: excomungar Ário, o celibato dos padres, a data da Páscoa, e a hierarquia da Igreja, estabelecendo patriarcas, arcebispos, bispos diocesanos nas capitais e províncias, presbíteros, diáconos e subdiáconos encarregados de visitar os enfermos e as ordens menores dos acólitos, exorcistas, leitores e porteiros e principalmente confirmando a Primazia do Bispo de Roma como sucessor de S. Pedro e chefe da Igreja.
Concílio de Nicéia

Uma advertência há de ser feita aqui ao leitor sobre este assunto, pois, há uma certa discussão levantada por cismáticos e hereges em que teria uma suposta "interpretação" do Cânon 6 deste concílio, onde diria, segundo esses hereges, que o Bispo de Roma não teria autoridade nenhuma sob os outros bispos, de modo contrário, teria a mesma autoridade dos patriarcas. Sem entrarmos no mérito da discussão de "traduções" e "interpretações" do Cânon, como já demonstramos a primazia do Papa no artigo anterior nos primeiros três séculos, portanto, antes de Nicéia, não precisamos ir muito depois do término do Concílio para confirmamos a existência de uma autoridade na Igreja Cristã.

Provamos isto em quatro documentos específicos do século IV:

I. Carta do Papa Júlio I (Pontificado: 337 - 352) aos Antioquenos datada do ano de 341, onde o Sumo Pontífice adverte a Igreja de Antioquia para preservar a hierarquia da Igreja Católica decidida no I Concílio de Nicéia, que diz: "[...] segundo o cânon eclesiástico [...] Porque não foi escrito à nós?[Roma] Por acaso ignorais que o costume era este: que se escreva primeiro a nós e daí venha a ser estabelecido o que é justo?"[7]

II. Concílio de Sárdica do ano de 343, onde seguindo o Concílio de Nicéia, ordenava os bispos a recorrerem à autoridade da Sé de Roma: "Se, porém, aparecer que um dos bispos em determinada causa tenha sido condenado, e ele estiver convencido de ter não uma causa débil, porém justa, de modo que o veredicto possa ainda ser renovado, se parecer bem à vossa caridade, honremos a memória do Apóstolo Pedro, e escreva-se, por parte daqueles que julgaram, a [Júlio,] o bispo de Roma, para que, se necessário, os bispos vizinhos daquela província renovem o julgamento, e que ele designe os árbitros [...] se um bispo foi acusado, e os bispos da sua região, reunidos, o tiverem removido de seu grau, e ele, como apelante, se refugiou junto ao beatíssimo bispo da Igreja dos romanos e <este> quiser ouvi-lo e achar que seja justo, seja renovado o exame de sua causa, ele se digne escrever aos bispos vizinhos daquela província, para que eles, com solicitude e diligência, tudo indaguem e, segundo a credibilidade da verdade, apresentem uma sentença sobre a causa."[8]

III. Carta do Concílio de Sárdica do ano de 343, confirmando, não só a decisão de recorrer à Sé de Roma, mas também que ele é a cabeça da Igreja: "Esta, de fato, parecerá ser a coisa melhor e mais apropriada: que os sacerdotes do Senhor de todas as províncias recorram à cabeça, isto é, à sé do Apóstolo Pedro."[9]

IV. Carta do Papa Sirício respondendo ao bispo da província de Tarragona[10] sobre o batismo dos hereges e o celibato dos padres: "Não negamos a resposta correspondente à tua consulta, já que, em consideração ao nosso ministério, não podemos dissimular nem temos a liberdade de calar, pois que nos incumbe, mais do que a todos, o zelo pela religião cristã. Levamos o peso de todos os que estão sobrecarregados; ou, mais ainda, leva-o conosco o bem aventurado apóstolo Pedro, que em tudo, conforme acreditamos, nos protege e defende enquanto herdeiros do seu ministério. [...] acompanhando uma carta tua, tudo quanto por Nós em salutar disposição foi estabelecido obtemos assim, de um lado, que permaneçam incorruptas aquelas coisas que, não desconsideradamente, mas com previsão, com máxima prudência e ponderação, foram salutarmente estabelecidas por nós; de outro, que a todas as futuras escusas se feche o acesso, que junto a Nós a ninguém mais poderá ficar aberto."[11]

[7] (Denz. Hünermann, 132) 
[8] (Op. cit., 133 e 135) 
[9] (Op. cit., 136) 
[10] (Atualmente cidade da Espanha)
[11] (Op. cit., 181 e 182)

4. O FIM DA VIDA DE CONSTANTINO

Constantino após transferir a capital do Império de Roma para Bizâncio, o que depois tomou o nome de Constantinopla, no fim de sua vida foi convencido por arianos infiltrados em sua corte de que Ário estaria certo em sua doutrina. Foi batizado por Eusébio de Nicomédia, bispo ligado à Ário.

O Imperador exilou S. Atanásio (296 - 373) que tanto lutou contra o arianismo em Alexandria, matou seu próprio filho Crispo (299 - 326) que, por ciúme, fora acusado por sua madrasta e posteriormente, reconhecendo a inocência do filho e se arrependendo, mandou matar sua esposa Fausta (289 - 326).

Constantino, o Grande, faleceu no ano de 337, na cidade de Nicomédia, Turquia.[12]

[12] (J. J. da Rocha, Op. cit., pg. 188)

terça-feira, 30 de julho de 2019

Cristãos Primitivos - PARTE III

1. PRIMEIRAS CAUSAS DAS PERSEGUIÇÕES

Como já dissemos em outro artigo, se encontrava a civilização naquela época tomada de sensualidade e desvirtuação, agindo como verdadeiros animais. O triunfo dessa sociedade foi o Império Romano, que através de suas perseguições e crueldades germinou o cristianismo por todo o Mundo, fazendo com que, a cada sangue derramado, fosse plantado mais adeptos à verdadeira Religião.

Neste mundo se encontraram os cristãos, que pregavam penitência contra a sensualidade, purificação, abstinência e castidade.

A. Judeus

Por causa das confusões causadas pelos hereges (entenda aqui), principalmente os nazarenos e ebionitas, pelas calúnias dos filósofos, e também por pregarem que um nascido judeu era o próprio Deus, os cristãos eram constantemente confundidos com os judeus, para os romanos "cristão" e "judeu" era a mesma coisa. Os romanos tinham um ódio implacável dos judeus, pois estes, constantemente planejavam e conspiravam contra o Império Romano. Exemplo disto foram as três revoluções que fizeram, uma no Império de Nero e outras duas sob o de Trajano e Adriano, nas quais morreram milhões de judeus e romanos.

B. Religião

Os cristãos celebravam suas reuniões secretamente, guardando profundo respeito aos seus mistérios, obedecendo o que disse N. S. Jesus Cristo: "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas[...]"[1]. Por isso, os imperadores obrigavam os cristãos a idolatrarem a pátria e o imperador, e os que se negavam eram considerados antipatriotas, inimigos públicos, ímpios e até ateus.

[1] (Ev. S. Mateus, Cap VII, v.VI)

2. JUDEUS

Os judeus odiavam os cristãos principalmente porque estes não pegavam em armas contra os romanos, o que faziam com bastante frequência os judeus, vide as guerras judaico-romanas.

Assassinaram a pedradas S. Estevão e S. Tiago menor, assassinaram também S. Tiago maior e prenderam S. Pedro, além de incontáveis cristãos que privaram da vida, mas os garantiram a vida eterna.
Martírio de S. Estevão, assassinado por judeus

Saulo de Tarso, que depois viria a ser convertido e renomeado por N. S., era o espelho dos judeus e dos implacáveis assassinos e perseguidores de cristãos da época.[2]

[2] ("[...] Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, apresentou-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém quantos adeptos deste caminho(doutrina) encontrasse, homens e mulheres.[...] Encerrei em cárceres muitos santos, e tendo recebido, para isso, poder dos príncipes dos sacerdotes, e, quando os faziam morrer, dava o meu voto. Muitas vezes, percorrendo as sinagogas, usava com eles de crueldade, obrigando-os a blasfemar; e enfurecendo-me mais e mais contra eles, perseguia-os até nas cidades estrangeiras." Lv. dos Atos dos Apóstolos Cap. IX v. I e II; Cap. XXVI, v. X e XI)

3. IMPERADORES E SUAS PERSEGUIÇÕES

Martírio dos primeiros católicos
Com esses facínoras os cristãos morriam de diversas formas, entre elas: ser lançados aos leões do circo, queimados, crucificados, entre outras crueldades atrozes.

I. Nero (Reinado: 54 - 68)

Começou bem seu reinado, porém logo entregou-se a todos os vícios que o deram fama. Fez vítimas tais como sua própria mãe, sua esposa e generais do seu exército. Decretou a primeira perseguição aos cristãos, culpando-os pelo incêndio de Roma, que ele mesmo causou. Por ser admirador das artes morreu exclamando: "Que artista o mundo vai perder!"

II. Domiciano (Reinado: 81 - 93)

Louco e cruel como Nero e Calígula. Expulsou de Roma os filósofos, proibiu o cultivo da vinha e assassinou envenenado o General Romano Agricola, aquele que conquistou a Grã-Bretanha. Neste período, S. João foi mergulhado em um caldeirão de água fervente, como não morreu, foi enviado à Patmos, onde escreveu o Livro do Apocalipse.

III. Trajano (Reinado: 98 - 117) e Adriano (Reinado: 117 - 138)

Celebrou suas vitórias com jogos que duraram 123 dias, nos quais faleceram dez mil gladiadores. Consultando o seu panegírico Plinio, o Jovem, a respeito dos cristãos, este respondeu ao imperador: "Eis de que modo me comportei até o momento com aqueles que foram conduzidos diante de mim e acusados de ser cristãos. Perguntei diretamente a eles se são cristãos. Ao responder-me que sim, perguntei-lhes uma segunda e até uma terceira vez, advertindo-lhes que o reconhecimento de algo assim expressaria a morte. Aos que mantiveram sua declaração, ordenei que os executassem. A razão disso foi que não me cabia dúvida de que, qualquer que fosse a natureza do crime que confessavam, certamente este fanatismo e esta obstinação intransigente merecia a morte."[3] Por sua vez, o Imperador Adriano duplicou o salário dos soldados, perseguiu os cristãos e declarou guerra implacável os judeus. Destruiu a cidade de Jerusalém, e construiu uma outra em seu lugar chamada Élia Capitolina. Tinha uma relação homossexual e pedófila com o seu escravo sexual Antinoo, que era 38 anos mais novo que ele.


IV. Marco Aurélio (Reinado: 161 - 180)

Dividiu seu governo com Lúcio Vero (161 - 169), seu genro; combateu revoltas populares e expulsou os bárbaros. Quando estava em uma guerra contra os marcomanos[4] contava-se entre o exército uma Legião só de cristãos, estes já estavam cansados e morrendo de sede, após serem cercados, todos começaram a suplicar misericórdia a Deus, e ficaram livres graças a uma chuva milagrosa que saciou a sede dos soldados e, se transformando em um temporal, expulsou os inimigos com raios e trovoadas.[5] Tal acontecimento deu uma pausa à perseguição aos cristãos.

V. Sétimo Severo (93 - 211)

Matava cruelmente seus inimigos. Faleceu em York[6] dizendo: "Tudo fui e vi que nada vale!".

VI. Maximiano (235 - 238)

Tirano cruel, se matou enforcado, após ter tido o trono usurpado.

VII. Décio (249 - 251)

Morreu em uma invasão de bárbaros na cidade de Mésia.[7]

VIII. Valeriano (253 - 260)

Teve o Império invadido pelos bárbaros, foi preso pelos Persas e morreu esfolado vivo.

IX. Aureliano (270 - 275)

Resistiu à invasões de bárbaros que invadiam a Itália, na batalha contra os Persas, morreu vítima de uma conspiração vinda do seu próprio secretário.

[3] (Plinio, Cartas, L. X, Ep. 96, pg. 81)
[4] (Tribo germânica ligada aos suevos)
[5] (Esta Legião ficou conhecida como "Fulminante")
[6] (Atualmente território da Inglaterra)
[7] (Atualmente território da Sérvia)


4. TETRARQUIA E A DÉCIMA PERSEGUIÇÃO

Diocleciano (Reinado 284 - 305) apagou todos os vestígios da antiga república romana. Dividiu o Império entre Ocidental e Oriental. Nomeou Maximiano Hércules (Reinado: 286 - 305) como "Augusto" do Ocidente, de modo que ele seria hierarquicamente inferior, enquanto Diocleciano ficou "Augusto" do Oriente.

Tendo dividido em duas partes o Império, os "Augustos" nomearam "Césares", que ficariam como uma espécie de príncipes do Império, abaixo da autoridade dos "Augustos".

Diocleciano nomeou como "César" do Oriente Maximiano Galério (Reinado: 293 - 305), assim como Maximiano Hércules nomeou para o Ocidente Constâncio Cloro (Reinado: 293 - 305), configurando assim a "Tetrarquia".

I. Diocleciano

Depois de conseguirem diversas vitórias, Diocleciano mandou cunhar uma moeda com a inscrição "Cristiano nomine deleto" (Exterminando o nome de Cristo). Abdicou posteriormente junto com Maximiano Hércules o seu posto de "Augusto". Morreu de fome, depois de cuspir sua língua cheia de vermes.

II. Maximiano Hércules

Constantino, que já falaremos sobre esse imperador mais a frente, era sobrinho de Hércules, que por diversas vezes o "Augusto" tentou matar, fez com que Maximiano se enforcasse com suas próprias mãos.

III. Constâncio Cloro

Após a abdicação de Maximiano Hércules, assumiu o trono. Se recusou a perseguir os cristãos, e após morrer, passou seu título de "Augusto" do Ocidente a Constantino, seu filho.

5. FIM DA TETRARQUIA

Após a abdicação de Diocleciano e a morte de Constâncio, Maximiano Galério, sendo o "Augusto" do Oriente, reconheceu Constantino como, na verdade, "César" do Ocidente e nomeou em seu lugar Valério Severo (Reinado: 305 - 307) como "Augusto" do Ocidente, então passou a governar a Itália e a África.

No entanto, após a morte de Maximiano Hércules, seu filho Magêncio (Reinado: 306 - 328), influenciado por populares revoltados com os impostos do Império, reclamava por hereditariedade o título de "Augusto" do Ocidente, dado por Galério à Severo.

Valério, após Magêncio dar o golpe apoiado por populares, e ser proclamado "Augusto" da Itália e da África, foi preso em Ravena[8] e foi obrigado a se suicidar cortando suas veias.

Sendo Galério ainda "Augusto" do Oriente nomeou Maximiano Daia (Reinado: 305 - 313) como "César" da Ásia e Licínio (Reinado: 307 - 324) como "César" do Egito. Perseguiu ferozmente os cristãos, e morreu com seu corpo apodrecido, caindo aos pedaços.

Após a morte de Galério, Maximiano Daia e Licínio dividiram os territórios de Galério.

Daia perseguiu ferozmente os cristãos, provocou o martírio de S. Catarina de Alexandria, se aliou a Magêncio e rompeu com Licínio, este declarando guerra a ele, de quem perdeu sua última batalha, e morreu de dores horríveis após ser envenenado.

Magêncio, sendo tirano da Itália e da África, resolveu vingar a morte do seu pai e declarou guerra à Constantino. Licínio, nesta batalha que ficaria conhecida como "A Batalha da Ponte Mílvia", se aliou a Constantino.

Esta batalha seria o início do triunfo do cristianismo, após trezentos anos de sofrimentos e martírios.

[8] (Atualmente território da Itália)




FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

P. R. Galante, Compêndio da História Universal, "História Romana", P. III, Ep. I, 148; Ep. II, 150, 151; Ep. III 152 e 154; Ep. IV, 155.
J. J. da Rocha, Compêndio da História Universal, T. I, Cap. XXXVIII, pgs. 182-184.



segunda-feira, 29 de julho de 2019

A Verdade sobre o Descobrimento da América

1. S. TOMÉ

Segundo historiadores, o primeiro a evangelizar o nosso Continente foi S. Tomé, o Apóstolo de N. S. Jesus Cristo. 

Sabe-se que, quando os Apóstolos se dividiram após a morte de Jesus Cristo, S. Tomé ficou responsável por evangelizar a parte da Etiópia e da Índia, entendendo-se então que, por Providência Divina, S. Tomé teria encontrado e desembarcado em nossas Terras.
Pegada de S. Tomé em S. Vicente, Baía

A. América Espanhola

Após os espanhóis chegarem na América, encontraram diversas cruzes, letras que lembravam o nome do Apóstolo e figuras que representavam S. Tomé em nossas terras. Além disso, são encontradas as mesmas evidências em Cuba, onde o chamavam de "Cemi" e no Haiti de "Tzemes".[1] 

B. América Portuguesa

Os nativos afirmavam que tinha passado por aquelas regiões um homem barbado com o nome de "Sumé" que os ensinaram doutrinas da eternidade e a cultivar mandioca, porém não foi ouvido por eles e acabou indo embora.[2] 

Afirmam ainda que ele teria partido em S. Vicente, Baía, onde deixou uma pegada, que os índios mostraram tanto aos portugueses quanto para os jesuítas.[3] 

[1] (R. Pita, História da América Portuguesa, L. I, 104; Varnhagen, História Geral do Brasil antes da sua separação e Independência de Portugal, T. I, S. IV, pg. 42)
[2] (Varnhagen, Op. cit.)
[3] (R. Pita, Op. cit., 105; J. Anchieta, Cartas, Informações e Frag. Históricos do Pe. José de Anchieta, Cap. XXIX, pg. 332)

2. CRISTOVÃO COLOMBO

Nascido em Gênova, Itália, em 1436, Cristovão Colombo, se dedicou à navegação e adquiriu através dos estudos e das viagens que fez, vasta experiência na área cosmográfica.

Colombo estudou diversas obras que corroboravam em afirmar que existia uma terra do outro lado do Oceano, o que ele acreditava ser a costa da Ásia Oriental. A principal delas foi do Cardeal francês Pedro d'Ailly, cujo exemplar da obra estudada por Cristovão,  foi encontrada na Biblioteca de Sevilha contendo diversas notas do navegante genovez. Ademais, Colombo ainda estudou o "Imago Mundi", obra geográfica do século XV a.C., e uma carta de Toscanelli, astrônomo italiano, ao cônego português Fernão Martins, que ele próprio enviou uma cópia a Colombo, onde continha diversos estudos e mapas para se chegar à Índia navegando pelo o Ocidente.[4] 

O genovez foi tratado como louco em seu país e em outras nações. Seu plano foi rejeitado por D. João II (Reinado 1477 - 1495) de Portugal e também igualmente rejeitado pela Inglaterra e pela França.

Também foi rejeitado pelo Rei da Espanha, Fernando, o Católico. Passados oito anos de perseverantes tentativas do genovez, a Rainha de Castela, Isabel, a Católica, penhorou suas próprias jóias acreditando na eficácia de suas descobertas. O que fez com que lhe desse três navios chamados: S. Maria, Pinta e S. Clara ou Ninha[5] 

[4]  (Varnhagen, Op. cit., S. V, pg. 64)
[5]  (Apelidada assim por causa de seu proprietário Juan Niño).

3. NOVO MUNDO

No dia 3 de agosto de 1492, iniciou sua expedição do Porto de Palos[6] com o título de Almirante e de Vice-Rei de todas as ilhas, mares e terras que encontrasse. 

Na viagem tiveram de superar muitas dificuldades por causa de um temporal que enfrentaram e também por causa do desânimo da tripulação. Entretanto na madrugada do dia 11 para 12 de outubro do mesmo ano avistaram a Ilha de Guanahani[7], onde Cristovão Colombo deu o nome de S. Salvador. Ali cantou o Te-Deum[8] e erguendo uma cruz, tomou posse das terras em nome do Reino de Castela. 


Cristovão Colombo chegando em S. Salvador
Da mesma forma descobriu a ilha de Cuba e do Haiti, esta última dando o nome de S. Domingos ou Espanhola. No Haiti construiu um forte onde deixou 38 soldados para proteger as terras descobertas. 

No dia 6 de março de 1493, devido à um temporal, acabou tendo que desembarcar em Lisboa com indígenas que capturou no caribe para levar à Espanha. D. João II vendo aquilo, o acolheu, no entanto, ficou preocupado, achando que esses nativos eram da Índia, que há tanto tempo procurava Portugal. No mesmo mês, voltou triunfante para a Espanha, onde foi recebido com honrarias e festas que lhe era devido, porém isso irritou alguns invejosos do genovez, que logo depois armaram um plano para derruba-lo.[9]

[6] (Atualmente território da Espanha)
[7] (Atualmente território das Ilhas das Bahamas)
[8] (Hino Cristão composto por S. Ambrósio e S. Agostinho)
[9] (P. R. Galante, História do Brasil, T. I, 20, pgs. 16-20)

4. PRISÃO E MORTE DE COLOMBO

Em suas três viagens seguintes visitou mais algumas ilhas e explorou parte considerável da costa do continente.

Na segunda viagem foi denunciado ao Reino por alguns desordeiros que Colombo castigou durante a expedição. Na terceira viagem foi preso por Bobadilla[10], que o mandou de volta para Espanha.

Logo que a Rainha Isabel soube da prisão, mandou imediatamente soltá-lo, porém o Rei Fernando não restituiu seus títulos e também não autorizou uma quarta viagem.

Em 1504, encontrou a Rainha Isabel em seu leito de morte, porém foi desprezado mais uma vez pelo Rei da Espanha, que o deixou morrer em estado de miséria na cidade de Valladolid, na Espanha, em 1506.

Suas cinzas, depositadas primeiro na Catedral de Sevilha, foram depois transferidas para o Haiti, e mais tarde para Havana. 

Cristovão Colombo foi de tal forma importante para as descobertas de nossas terras, que, no seu túmulo em Sevilha, escreveram: "A Castilla y Aragón, Nuevo Mundo dio Colón."

O genovez não teve nem se quer a glória de herdar o seu nome ao continente que descobriu, pelo fato de Américo Vespúcio (1454-1512), que navegou tanto por Portugal quanto pela Espanha, ganhar tanta fama com seus diários de viagens, que acabou herdando seu nome ao Novo Mundo.[11]

[10] (Oficial da Ordem de Calatrava)
[11] (P. R. Galante, Op. cit.)

sábado, 27 de julho de 2019

D. Henrique e o Novo Mundo

1. OBJETIVO DE PORTUGAL

Infante D. Henrique
No princípio, os principais objetivos do Reino de Portugal em suas expansões marítimas, debaixo da autoridade da Igreja Católica, eram:

1) Evangelizar os infiéis que nunca tinham ouvido falar de N. S. Jesus Cristo através do Batismo;

2) Expulsar os mouros daquelas terras, ou pela força ou os prejudicando comercialmente nas rotas;

3) De maneira honrosa estabelecer uma comunicação e comércio com alguma civilização que ali vivessem para benefício do Reino.

De forma que, o 1º objetivo era o principal e o mais importante para o Príncipe, sendo os outros dois, comparados ao primeiro, de menor importância.[1] Vê-se que D. Henrique, não tinha como prioridade o interesse comercial nas descobertas e nas capturas de mouros residentes nas regiões, mas de acordo com o próprio Antão Gonçalves, até 1441, o foco era(Cf. 2, E.): "[...] levar [a D. Henrique] algum idioma desta terra; porque sua intenção neste descobrimento não é de fins comerciais, mas sim de buscar gente desta terra tão remota da Igreja, e dar-lhes o Batismo [...]"[2]

[1] (Crônica do Descobrimento e Conquista de Guiné, Cap. V, pgs. 47-48) 
[2] (J. Barros, Dec. I, Liv. I, Caps.: II, pgs. 16 e 23-25; VI pg. 50; VII pg. 57)

2. ESCOLA DE SAGRES

A grandeza marítima de Portugal tem origem na Escola de Sagres, fundada pelo Infante[3] Dom Henrique, terceiro filho de D. João I (Reinado 1385 - 1433) e de D. Felipa de Lencastre  (Reinado 1387 - 1415)[4]. D. Henrique então, dedicando-se com toda seriedade ao estudo da astronomia, cosmografia e náutica, chamou para sua Escola o espanhol Jaime Ribas[5], cartografo e mestre em náutica, que fabricava cartas e instrumentos de navegação, o maiorquino foi o primeiro a instruir a Escola de navegação do Infante[6].

Como D. Henrique era Governador da Ordem de Cristo[7], tinha à sua disposição muitos recursos financeiros, os quais eram direcionados quase que exclusivamente para os descobrimentos marítimos, na intenção de abrir novos horizontes para a Civilização Cristã.[8]

D. Henrique, com o objetivo de tirar das mãos dos mouros o império marroquino, após entrar em guerra para tomar uma cidade islâmica chamada Ceuta (1415), no Norte da África, ali recolheu dos muçulmanos vencidos diversas informações dos povos da África Ocidental, do deserto do Saara e do país de Guiné, estas constatações seriam preciosas para servirem de base nas primeiras descobertas portuguesas.[9]

Sem demora, D. Henrique começou a mandar dois ou três navios por ano com a ordem de explorar a costa além do "Cabo Não"[10]. Aquele cabo era conhecido assim, pois, por navegações desastradas dos espanhóis, fez com que os portugueses acreditassem que seria impossível passar daquela região. Para se ter noção, tal era o preconceito dos portugueses em relação a esse Cabo, que tinha uma espécie de ditado popular na época que dizia: "Quem passa o "Cabo Não", tornará ou não!".

[3] (Nos reinos da Espanha e de Portugal, este título era atribuído a quem era filho do rei ou da rainha, porém não era herdeiro do trono na linha sucessória)
[4] (Irmã de Henrique IV, que foi rei da Inglaterra de 1399 até 1413)
[5] (Nascido na Ilha de Maiorca, na Espanha, na verdade ele se chamava Jehuda Cresques, de ascendência judaica. Mudou seu nome após se converter ao cristianismo por volta de 1391)
[6] (História Geral do Brasil antes da sua separação e Independência de Portugal, S. V, pg. 62, Varnhagen)
[7] (Ordem religiosa criada pelo rei de Portugal D. Diniz (Reinado 1279 - 1325) para substituir a extinta Ordem dos Templários, da qual herdou todos os bens, e em 1319 foram reconhecidos pelo papa João XXII)
[8] (História do Brasil, Tomo I, Cap. II, 5, P. R. Galante)
[9] (J. Barros, Dec. I, Liv. I, Cap. II, pg. 19; Os Filhos de D. João I, J. P. Oliveira Martins, Cap. II, pg. 64)
[10] (O Cabo Não, consiste atualmente no sul de Marrocos)

3. PRIMEIRAS DESCOBERTAS

A. Cabo Bojador

Superando esta superstição, logo descobriram o Cabo Bojador[11], porém ninguém ousou explorá-la, devido a dificuldades com a profundidade na costa, que, ao que tudo indica, possuía mais ou menos 48 KM de distância do alto mar, com a profundidade de apenas 2 metros, o que impedia os navegantes de desembarcarem na região.

B. Porto Santo (1418)

Ao voltar da expedição de Ceuta, D. Henrique se deparou com João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, que se ofereceram corajosamente ao Infante para explorar além do Cabo Bojador e sem hesitar D. Henrique autorizou a empreitada.

Tendo iniciado sua temida navegação, em certo ponto da viagem, eles foram arrastados por um temporal para o alto mar. Quando, desesperados, achavam que estavam perdidos, o tempo se abriu e [12].
Caravelas de navegações de D. Henrique, com a Cruz da Ordem
de Cristo
logo avistaram uma ilha deserta e lhe deram o nome de Porto Santo

Então, quando voltaram, contaram alegres ao reino sua descoberta, e, após se oferecerem ao Infante, logo obtiveram permissão de povoar a nova ilha. Rapidamente eles partiram em três navios, juntamente com o Fidalgo[13] Bartolomeu Perestrelo.

Entretanto, Perestrelo obteve um imprevisto e não conseguiu permanecer por muito tempo na ilha, pois levou uma criação de coelhos que se tornaram uma praga e devoraram todas as plantações.[14]

C. Ilha da Madeira (1419/20)

João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, que permaneceram na Ilha, decidiram examinar de perto o que parecia ser uma nuvem preta, que eles enxergavam com dificuldade constantemente no horizonte.

Deste modo, descobriram ocasionalmente uma Ilha deserta, que por causa de suas inúmeras árvores, a chamaram de Ilha da Madeira. Ela fora dividida em duas capitanias: a do Funchal para João Gonçalves Zarco e a de Machico para Tristão Vaz Teixeira.

Bartolomeu Perestelo ficou com o Porto Santo, que apesar do seu primeiro contratempo, a colonizou, e conseguiu acabar com a praga dos coelhos.[15]

D. Açores (1431)

Gonçalo Velho[16], a mando do Infante, zarpou em navegação na direção oeste de Portugal, e acabou topando com rochedos que deu o nome de Formigas. No ano seguinte, realizou uma segunda viagem e descobriu uma ilha que a chamou S. Maria, posteriormente descobriu a ilha de S. Miguel, da qual foi o primeiro administrador.

Deram a estas duas ilhas o nome de Açores porque quando chegaram viram ali uma quantidade enorme de milhafres, que pensavam na verdade serem açores.[17] Foram incluídas nesse arquipélago outras ilhas ali descobertas. [18]

E. Outros Descobrimentos

Em 1433 Gil Eanes, navegante nascido na Vila de Lagos[19], foi o primeiro a explorar o Cabo Bojador, e no ano seguinte, visitou novamente a região juntamente com Afonso Gonçalves Baldaia[20]. Passando da região do Cabo Bojador, os exploradores encontraram pegadas humanas e de camelos, mas não descobriram nada e voltaram para o Reino. Em 1436, Gil Eanes junto com Afonso Gonçalves Baldaia descobriram o Rio de Ouro[21]. A região era cercada de lobos marinhos, alguns estimavam que chegavam até cinco mil, o que fez com que eles caçassem o máximo que puderam para levar à Portugal.

No ano de 1441 Antão Gonçalves[22] retornou ao Rio de Ouro por ordem do Infante, para buscar novamente peles e óleo de lobos marinhos. Ali fez o que ordenou D. Henrique e também capturou dois mouros: sendo um homem e uma mulher.

No mesmo ano, estando Antão ainda no Rio de Ouro, recebeu o explorador português Nuno Tristão, que tinha ordens expressas de D. Henrique para explorar além daquela região. Capturaram posteriormente mais alguns nativos da região depois de uma batalha sangrenta em uma aldeia. Entre os capturados estava Adahu, que era um nobre e racionalmente superior aqueles nativos.

Antão já tendo cumprido a sua missão, retornou para Portugal. Nuno Tristão continuou a explorar além da região, conforme tinha ordenado D. Henrique, foi assim que então descobriu o Cabo Branco[23], porém acharam melhor, naquele momento, não explorar aquela terra e voltar ao Reino.[24]

Quando ambos chegam ao Reino com os infiéis, D. Henrique se alegrou, não só pela quantidade de almas que ali estavam para conhecer N. S. Jesus Cristo, mas na esperança de poder encontrar mais almas para salvar, o Infante não pensou em lucros, riquezas ou se quer benefícios econômicos que aquelas pessoas poderiam fazer ao Reino, mas sim, na principal intenção que tinha o Príncipe naqueles descobrimentos, que era a salvação daquelas almas e a propagação da Civilização Cristã.[25]

Em 1443, Nuno Tristão voltou à costa da África Ocidental, seguindo ordens de D. Henrique, onde captura mais 15 mouros e descobre a Ilha das Garças, que possuiu este nome após o navegante ter encontrado inúmeras garças naquela região, ao que tudo indica, porque era época da procriação delas.[26]

[11] (Hoje região no território de Marrocos)
[12] (Atualmente faz parte do arquipélago de Madeira)
[13] (Título da época que significava "filho de algo", o que deduziria que era proprietário de bens)
[14] (J. Barros, Dec. I, Liv. I, Cap. II, pg. 27 e 28)
[15] (História do Brasil, Tomo I, Cap. II, 8, pg. 7, P. R. Galante)
[16] (Hábil cavalheiro da Ordem de Cristo e Navegante de D. Henrique)
[17] (Açores e milhafres são aves de rapina muito parecidas)
[18] (Op. cit., 12, pg. 10)
[19] (Cidade litorânea localizada no Sul de Portugal)
[20] (Navegante e explorador de D. Henrique)
[21] (Região localizada no Norte da África. Atualmente território da Mauritânia.)
[22] (Navegante português e e guarda pessoal de D. Henrique)
[23] (Região do Norte da África, atualmente território da Mauritânia)

[24] (J. Barros Dec. I, Liv. I, Cap. V - VI)
[25] (Crônica do Descobrimento e Conquista de Guiné, Cap. XIV, pgs. 87-88)  
[26] (Monumenta Henricina, vol. VIII, doc. 44, pgs. 78-81)

4. OS ABUSOS E A POSIÇÃO DA IGREJA

Naturalmente, como em toda obra humana, ocorreram abusos nessas primeiras explorações européias, que, apesar da admirável e honrosa primeira e principal intenção de D. Henrique, não deixaram de serem cometidos.

Um dos motivos destes abusos, seria uma espécie de vingança contra o derramamento de sangue cristão pelos mouros, o que não justificaria em si tal projeto desumano que viria a manchar parte da belíssima história das descobertas portuguesas e espanholas.[27]

Logo que chegou ao conhecimento da Igreja, em 1434, Ela se posicionou diante dos abusos dos europeus com os nativos das Ilhas Canárias[28], através da Bula Creator Omnium do Papa Eugênio IV (Pontificado: 1431-1447), na qual ordenava que todos os cristãos, no prazo de 15 dias, após o conhecimento da Bula, restituíssem a liberdade aos indígenas daquele lugar, proibindo também futuramente de prende-los, transferi-los e vende-los, sob pena de excomunhão. A maior preocupação do Santo Padre era a salvação das almas, que com estes gestos, prejudicavam a evangelização dos outros nativos, que, certamente ficariam temerosos de aceitarem se converter diante de tamanho ultraje.[29]

D. Henrique desejando assegurar a posse das conquistas que tivera e de outras que planejava admiravelmente, obteve em 1436, do mesmo Sumo Pontífice, uma bula pela qual o Santo Padre concedeu à Ordem de Cristo todas as terras que foram e seriam descobertas com o fim de, conquistadas, evangelizar os infiéis que ali viviam, desde o Cabo Bojador até a Índia.[30]

Em um intervalo de 2 anos, ao mesmo tempo que a Igreja condenava a escravidão, ela incentivava e parabenizava pelos feitos europeus nas expedições, sempre maternalmente, dirigindo seus filhos para a Lei Suprema da Igreja, que é a salvação das almas. Logo, esta última Bula do Papa mostra claramente que é falsa a afirmação que a Igreja em algum momento endossou a escravidão, pelo fato de apoiar e incentivar as colonizações e descobertas dos portugueses e espanhóis.

[27] (História do Brasil, Tomo I, Cap. II, 9, pg. 7, P. R. Galante)
[28] (Atualmente território da Espanha)
[29] (Monumenta Henricina, vol. V, doc. 52, pgs. 118-123)
[30] (História da América Portuguesa, S. Rocha Pita, Liv. I, 91)



quinta-feira, 25 de julho de 2019

Cristãos Primitivos - PARTE II

Este capítulo pertence a uma série sobre a cristianização do Ocidente.

1. CRESCIMENTO E PROPAGAÇÃO DO CRISTIANISMO

Segundo a Era Cristã, Jesus Cristo nasceu no ano trinta do reinado de Augusto, 753 de Roma. Batizado por S. João Batista, iniciou sua divina pregação no 15º ano do Imperador Tibério, tendo uns trinta anos de idade. Morreu, ressuscitou e subiu ao Céu no 18º ano do mesmo imperador, 33º da sua idade.

Os apóstolos, depois de receberem o divino Espírito Santo, fundaram a Igreja de Jerusalém, celebrando ali mesmo o primeiro Concílio[1]. Dividindo entre si todo o mundo e inaugurando os primeiros bispados, selaram sua fé com o próprio sangue. S. Pedro foi para a Antioquia, e depois para Roma, onde derrotou Simão, o Mago[2] e recebeu a coroa do martírio juntamente com S. Paulo, que tinha pregado na Ásia Menor, na Grécia, na Ilha de Chipre, e talvez também nas Gálias, na Espanha e na Grã-Bretanha.


Pentecostes, o início da Igreja

O Cristianismo foi propagado com admirável rapidez, segundo consta na carta de Plinio (61 d.C. - 114 d.C.)[3] ao Imperador Trajano (Reinado: 98 d.C. - 117 d.C.) e pela de Graniano (Procônsul da Ásia, Mandato: 121 d.C. - 122 d.C.) ao Imperador Adriano (Reinado: 117 d.C. - 138 d.C.), os quais no início do século II afirmaram que na Ásia haviam cidades inteiras de cristãos. No fim deste mesmo século, Tertuliano (160 d.C. - 220 d.C.)[4], S. Irineu, bispo de Lyon (130 d.C. - 202 d.C.) e S. Justino, teólogo do século I (100 d.C. - 165 d.C.) em escritos apologéticos puderam assegurar que os Cristãos já tinham penetrado por toda a parte, de modo que se fossem mortos, muitas cidades e províncias ficariam desertas. Não se pode dizer, também, que só se convertiam os pobres e ignorantes, porque achamos entre eles filósofos, senadores, procônsuls, generais, e até parentes próximos do Imperador. 

Entre os meios que de algum modo facilitaram esta propagação, estão: a unidade do Império Romano; a multiplicação da língua grega; a civilização material e intelectual sofrivelmente adiantada e uma espera de suas reparações.

[1] (Livro dos Atos dos Apóstolos, Cap. XV)

[2] (Ilusionista relatado nas Escrituras, no Livro dos Atos dos apóstolos, que tentou comprar dos apóstolos o poder que Nosso Senhor lhes dera de operar milagres.)
[3] (Era chamado de "Plinio, o jovem", foi orador e panegírico do Imperador)
[4] (Teólogo, autor de alguns dos primeiros documentos do cristianismo primitivo)

2. SUPREMACIA DO PAPA

Jesus Cristo demonstrou a divindade de sua missão por inumeráveis milagres e bem assim por sua vida e Santa Doutrina. Insistiu muito em provar sua humanidade e divindade; ensinou a Unidade e a Trindade de Deus, a eternidade da vida futura, o amor a Deus e ao próximo, a humildade e mortificação da carne, a pobreza efetiva ou de espírito e a castidade, como obrigação; a pobreza efetiva e a virgindade, como conselho, etc. Elevou a Sacramento o Matrimônio, que declarou indissolúvel por sua natureza; instituiu o sacerdócio e o episcopado, etc. 

Ao mandar os Apóstolos pregar em todo o mundo[5], conferiu-lhes o poder de perdoar os pecados (poder das chaves)[6], e lhes prometeu sua assistência perpétua[7]. Por fim, colocou S. Pedro a frente de sua Igreja contra a qual "as portas do inferno não prevalecerão"[8]
São Pedro com as chaves dadas por N. S. Jesus Cristo


A supremacia do Papa nos primeiros séculos, prova-se pelos seguintes acontecimentos: 

1) Recurso da Igreja de Corinto à Santa Sé (século I)[9];

2) Pela questão da data da Páscoa entre os papas S. Aniceto (Pontificado: 155 d.C. - 166 d.C.) e S. Vitor (Pontificado: 189 d.C. - 199 d.C.) de um lado e os bispos S. Policarpo (de Esmirna; 69 d.C. - 155 d.C.) e Policrates (de Éfeso; 125 d.C. - 196 d.C.) do outro, pois estes não negavam que o Papa pudesse intervir nos negócios da sua diocese, embora recusassem obedecer apelando para as tradições locais.[10]

3) Pelos os acontecimentos que ocorreram na perseguição do Imperador Romano Décio (Reinado: 249 d.C. - 251 d.C.) entre Roma e Cártago. S. Cipriano (210 d.C. - 258 d.C.), Bispo da Cidade de Cártago, foi acusado em Roma de ter abandonado seu rebanho, pois havia se escondido das perseguições do Império Romano. O Bispo de Cártago recusou reconciliar os apóstatas[11] que pediam desesperadamente para que fossem recebidos de volta na Igreja, não obtendo resposta, estes recorreram ao Papa S. Cornélio (Pontificado 251 d.C. - 253 d.C.). Em ambos os casos, o Santo Bispo, longe de negar a supremacia do Sumo Pontífice, justificou perante ele o seu proceder.[12];

4) Pela questão do Batismo dos hereges, ocorreu a divergência entre S. Cipriano, e o Papa S. Estevão I (Pontificado 254 d.C. - 257 d.C.). Embora S. Cipriano tenha defendido por algum tempo que o Batismo dos hereges era inválido, nunca recusou a autoridade do Papa, cuja decisão se submeteu no fim;

5) Pelo o que houve na ocasião do cisma de Novaciano (200 d.C. - 258 d.C.), que foi antipapa e negou o poder das chaves. Tendo o Papa S. Cornélio deposto três bispos que tinham sagrado o antipapa foi aplaudido por toda a Igreja.[13];

6)Pelo fato do Papa S. Dionísio (Pontificado 259 d.C. - 268 d.C.) ter chamado à Roma S. Dionísio de Alexandria (200 d.C. - 255 d.C.), que acusado de ter negado a Santíssima Trindade, não recusou obedecer o Bispo de Roma, de modo contrário, o Patriarca S. Dionísio se justificou e se retratou.

Entre os numerosos testemunhos dos primeiros séculos em favor da supremacia do Sumo Pontífice é precioso o de Tertuliano, quando já apóstata, declarou que o Papa é o bispo dos bispos. 

[5] (Ev. S. Marcos Cap. XVI, v. XV)
[6] (Ev. S. João Cap. XX, v. XXIII)
[7] (Ev. S. Mateus Cap. XXVIII, v. XX)
[8] (Ev. S. Mateus Cap. XVI, v. XVIII). 
[9] (O Papa S. Clemente enviou uma carta à Igreja de Corinto datada do ano de 97 d.C., que tinha o objetivo de repreende-los contra a injusta deposição dos presbíteros da Igreja, provando assim a superioridade hierárquica do Bispo de Roma)
[10] (Esta foi uma divergência histórica entre a Igreja Oriental e Ocidental sobre a data da Páscoa em que diante do impasse os Papas S. Aniceto e S. Vitor autorizaram a Igreja Oriental a seguir suas tradições de calendário, sem quebrar assim a comunhão com Roma)
[11] (S. Cipriano defendeu, por um tempo, que os cristãos que negavam a Cristo com receio do martírio deveriam ser "rebatizados")
[12] (Existe uma carta de S. Cipriano enviado à Igreja de Roma com o título de "Epístola 20" que justifica o porque ele se escondeu das perseguições. A lógica é que, se S. Cipriano não reconhecesse autoridade em Roma, não haveria o porquê de se justificar)

[13] (O que viria a ser futuramente conhecido, este gesto, como Aclamação Pública da Igreja, para confirmar a autenticidade do Papa escolhido pelo Magistério, para evitar falsos papas)

4. CONTRIBUIÇÃO CATÓLICA PARA AS CIÊNCIAS E AS ARTES DOS PRIMEIROS SÉCULOS

A Igreja Católica sempre promoveu, por toda a história, a ciência e as artes, sendo elas importantíssimas para desenvolver, ensinar e propagar seus dogmas, também para o seu culto e para defender-se dos contínuos ataques de seus inimigos.

Portanto a Igreja Católica é uma sociedade essencialmente sábia e civilizadora, não só no sentido de civilização moral, mas também intelectual e material. Foi por isto que a Igreja, seguindo o conselho de S. Pedro[14] e de S. Paulo[15]estabeleceu as escolas episcopais que foram os melhores focos de ciência, de artes e de civilização verdadeira. 

Já no século I, os simples fiéis da época escreveram O Pastor de Hermas.[16]

Fundaram no século II as escolas filosóficas de Alexandria, Cártago e de Roma. 

Ensinavam em Roma S. Justino e em Cártago, Tertuliano, S. Cipriano e outros.

A escola de Alexandria, que começou propriamente com S. Marcos (Evangelista) foi continuada por: S. Panteno (140 d.C. - 200 d.C.); S. Clemente de Alexandria (150 d.C. - 215 d.C.); Orígenes (185 d.C. - 253 d.C.); Dídimo, o cego (313 d.C. - 398 d.C.); S. Demétrio de Alexandria (? - 232 d.C.) e muitos outros ilustres teólogos, filósofos e oradores. 

Os primeiros cristãos cultivavam também as artes, as quais se provam pelas catacumbas e primeiras igrejas construídas nestes séculos. 


Catacumba do Papa S. Calisto, datada do século III. Ali está representado o peixe, símbolo para se identificar os cristãos na época e a Eucaristia em cima.
[14] ("Mas tratai santamente o Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre para responder a todo o que vos pedir razão daquela esperança que há em vós",  I Livro de S. Pedro, Cap. III, v. XV)
[15] ("Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus Cristo, e que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, capazes de instruir também a outros.",  II Epístola de S. Paulo à Timóteo, Cap. II, vs. I e II)
[16] (Obra usada pelos cristãos nos primeiros séculos para catequizar os recém-convertidos)

5. PRINCIPAIS HERESIAS

A. Século I

Podem-se dividir as heresias do século I em duas classes:

1) As que derivam diretamente do Judaísmo, e foram ensinadas por Cerinto (século I), pelos ebionitas e nazarenos. Estes defendiam a necessidade da lei mosaica; negavam a divindade de Jesus Cristo e a virgindade de Nossa Senhora.

2) As que emanam do paganismo. Seus chefes foram os nicolaítas, Menandro (século I), Himeneu e Fileto[17] que assumiam os títulos de gnósticos ou sábios. Suas doutrinas misturam opiniões filosóficas do Egito, da Índia e da Pérsia, referia-se sobretudo à criação da matéria e a existência do mal. Recusando a solução dada pela Igreja e pretendendo guiar-se exclusivamente pela razão natural, caíram nos maiores absurdos.

B. Século II 

1) Valentim (100 d.C. - 160 d.C.), Marcião (85 d.C. - 160 d.C.) e Cerdão (? - 138 d.C.), que revestindo o gnosticismo com capa de religião, o tornaram ainda mais perigoso. Foi deste novo gnosticismo que nasceram incontáveis heresias e heresiarcas. Ensinavam erros altamente grosseiros; admitiam a doutrina dos dois princípios[18]; praticavam grande imoralidade.[19]; e mostravam satânico orgulho se assoberbando contra os sábios.

2) Montano (século II) teve a pretensão de limitar o poder das chaves.

3) Milenaristas diziam que no fim do mundo os justos ficariam ainda por mil anos aproveitando todos os prazeres da Terra. É importante ressaltar que o milenarismo ensinado por S. Justino e S. Irineu, posteriormente condenado pelo Papa S. Dâmaso (Pontificado 366 d.C. - 384 d.C.), era muito diferente do dos hereges, que entrou em extinção ainda no século II. O santos excluíam dessa teoria todo prazer sensual, este sendo o ponto principal dos hereges. Erra, pois, ou mente Draper (1811 - 1882)[20], quando sem distinção, atribui o milenarismo à S. Justino e S. Irineu.

C. Século III  

1) O herege Paulo de Samósata (200 d.C. - 275 d.C.) ensinou haver duas pessoas distintas em Jesus Cristo: uma divina e a outra humana. Posteriormente foi deposto pelos bispos, porém só realmente abandonou seus postos eclesiásticos quando foi obrigado pelo Imperador Aureliano (Reinado: 270 d.C. - 275 d.C.)

2) Os maniqueistas professavam a doutrina dos dois princípios juntamente com uma infinidade de outros erros. Perseguidos na Pérsia, onde Manes (216 d.C. - 274 d.C.), seu chefe, morreu esfolado vivo, invadiram a Europa pelos meados do século III, perpetuando-se sob diversos nomes até hoje.

Todos esses hereges causavam gravíssimos males à Igreja, porque corrompiam seus dogmas fundamentais, e também iludiam os ignorantes, que, sendo pagãos, não sabiam distinguir a Santa Doutrina ensinada por N. S. Jesus Cristo aos Apóstolos da dos hereges.

[17] (II Carta de S. Paulo a Timóteo, Cap. II, vs. XVI a XVIII)
[18] (Acreditavam estes gnósticos que haviam dois deuses, o "mau" do Antigo Testamento e o "bom" do Novo Testamento)
[19] (Tais como suicídio, prostituição e libertinagens sexuais)
[20] (Historiador e cientista americano)

(Compêndio da História Universal, 4ª Edição, S. Paulo, 1907, Pe. Galante, pgs. 105-109)

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Cristãos Primitivos - PARTE I

1. CONTEXTO SOCIAL DA ÉPOCA

Apesar de estradas excelentes, palácios esplêndidos e cômodos, aquedutos, banhos, espetáculos, literatura e tudo mais que pode agradar aos sentidos, a situação moral da época era decadente. 

Uma pequena parte da sociedade dominava a grande maioria, tratando-a como se fossem animais. Nas classes elevadas não se encontrava nem crença, nem boa fé, nem humanidade, nem sentimento de honra, porém o mais absurdo ceticismo, o orgulho, a moleza, a corrupção e uma desmedida ambição. O suicídio era comum, inclusive entre os generais e imperadores. As classes inferiores não pediam nada além de "pão e circo", mostrando-se sempre prontas a cometer qualquer crime para consegui-los. Ensinavam os filósofos doutrinas absurdas: a literatura, o teatro e a própria religião eram focos de hedionda imoralidade. Existiam, em média, 200 escravos para cada homem livre, eles eram tratados como animais, como instrumentos da economia. O pai podia vender como escravo seu próprio filho. 


Para eles, tudo era deus, menos o próprio Deus, assim como na Grécia antiga. Admitia-se todas as religiões, menos o cristianismo e o paganismo antropófago dos druidas.


2. TRIUMVIRATO I (60 a.C.) 


Após sucessivas guerras civis, golpes e revoltas na Roma Antiga, o Império se encontrava em praticamente uma anarquia. O 1º Triumvirato apareceu como uma solução a curto prazo naquele momento e consistia em uma aliança secreta entre os generais Crasso, Pompeu e Júlio César. 


Crasso - Ganhou a guerra contra o gladiador Espártaco[1]; governou a Síria; na guerra contra os partos[2] acabou sendo derrotado e morto pelo general do rei Orodes.


Pompeu - Dominou a Hispânia; derrotou o restante de rebeldes aliados à Espártaco, que Crasso derrotara; exterminou piratas na região da Cicília e concluiu uma antiga guerra contra Mitríades, rei do Ponto[3]. Tendo por essas façanhas recebido o título de "Grande".

Júlio César, Crasso e Pompeu
Júlio César -  De família nobre, se tornou popular ainda jovem por sua eloquência, suas liberalidades e suas maneiras encantadoras. Era, porém, ímpio, ambicioso e devasso; Foi governador por cinco anos das Gálias[4] e da Ilíria[5] ; repeliu invasões dos Helvécios[6] e dos Suevos[7]; Realizou duas campanhas bélicas na Grã-Bretanha[8]; e conteve duas revoluções dos gauleses. 

[1] Liderou a maior revolta de escravos de Roma.

[2] Hoje parte do Oriente Médio e Ásia Central e Ocidental.
[3] Atual península da Turquia.
[4] Hoje consiste em algumas partes da Bélgica, da Alemanha e o norte de Itália.
[5] Se estendia do atual norte da Albânia até a Itália, Croácia, Eslovênia, a oeste, e até o rio Sava na atual Bósnia e Herzegóvina, a norte.
[6] Bárbaros pertencentes à cultura celta.
[7] Grupo de povos germanos.
[8] Inglaterra, Escócia e País de Gales.

2.1. GUERRA JÚLIO CÉSAR x POMPEU (49 a.C.) 


Pompeu, incomodado com a crescente popularidade de Júlio César entre o povo e o exército,  pediu que Júlio César liberasse seu exército e que deixasse o governo das Gálias. Por outro lado, César quis obrigar Pompeu a renunciar seus governos. 


Quando finalmente Júlio César atravessa o Rio Rubicon[9], em sessenta dias ele conquistou toda a Itália. Foi à Hespanha, derrotou exércitos de Pompeu e voltando nomeou-se ditador e cônsul. Após este ocorrido, César identificou que seu rival fugira para Tessália[10], onde o derrotou em Farsalo. Dali Pompeu ainda conseguiu escapar para o Egito, lá foi assassinado. 


O Egito estava em uma disputa de trono entre os irmãos Ptolomeu e Cleópatra. César, deu o trono à Cleópatra com reforços de Roma que chegaram na Alexandria. Então, ficou sabendo das invasões de Fárnaces[11] contra o Império Romano. Rapidamente foi em sua direção, o derrotou e escreveu sua famosa frase ao Senado: "Vim, vi, venci.". 

Para voltar à Roma, César ainda passou pela África, onde venceu a Batalha de Tapso contra os pompeianos, que conspiravam a favor de Cipião e Catão. Ambos se opunham ao auto proclamado ditador romano.

Quando conseguiu chegar, vitorioso de tantas guerras e batalhas, na "Cidade Eterna", recebeu do Senado todos os poderes e dignidades do Estado; teve o triunfo[12]; proclamaram-no "Pai e Salvador da Pátria", e colocaram a imagem dele entre as estátuas dos deuses no templo de Marte.


César foi extremamente comedido em seu governo. Ele perdoou seus inimigos; empregou muitos cidadãos pobres nas colônias; reergueu numerosas cidades; reformou o calendário; protegeu as letras. Enfim, projetava realizar muitos planos úteis, quando em 15 de março em 44 a.C., o assassinaram numa reunião do Senado, alguns conspiradores sob a liderança de Cássio e Júnio Bruto[13].


[9] Existia, na época,  uma lei que impedia qualquer general de travessar o rio com seus exércitos, onde consistia numa fronteira natural entre as Gálias e Roma, pois evitava que grandes legiões ocupassem o núcleo do Império, para que não ameaçasse a estabilidade do poder central.

[10] Atualmente território da Grécia.
[11] Filho de Mitríades.
[12] Uma homenagem pública para prestigiar um comandante militar.
[13] Genro de Catão.

3. TRIUMVIRATO II (43 a.C.) 


A notícia da morte de César comoveu o povo romano, que perseguiu os conspiradores obrigando-os a fugir. 


Após novas crises sem precedentes no Império, formou-se então uma uma nova aliança política entre Marco Antônio, Lepido e Otávio[14]. Os três comandaram assassinatos contra muitos amigos e inimigos, e, indo em direção ao Oriente, derrotaram Cássio e Bruto nas planícies de Filipo na Macedônia[15].


Antônio e Otávio dividiram entre si o Império, deixando apenas a África para Lepido.

Antônio no Oriente, depois de fascinado por Cleópatra, empreendeu guerra contra Partos.

Dentro de pouco tempo, Otávio se tornou senhor da Itália vencendo Lepido e Sexto Pompeu [16].


Por fim, Otávio e Antônio entraram em guerra. A última batalha entre os dois foi em Áccio [17], na qual Antônio saiu perdedor e posteriormente fugiu para o Egito, onde suicidou-se. Cleópatra, que fora presa por Otávio, se suicidou com o veneno de uma víbora chamada áspide, afim de fugir da vergonha de reconhecer o triunfo do vencedor.


[14] Sobrinho de César.

[15] Atualmente região da Grécia.
[16] General romano e filho mais novo de Pompeu.
[17] Atualmente região da Grécia.

4. IMPERADOR AUGUSTO (27 a.C.) 

Imperador Augusto

Após se ver livre de seus oponentes, Otávio se ocupou de dar uma organização regular em seu governo. Restaurando, aparentemente, todas as tradições da República, reuniu em si mesmo todos os poderes de Roma. Se auto intitulou "imperador perpétuo", e o de "Augusto", que até então só se dava aos deuses.

Instituiu a guarda pretoriana[18];  reconstruiu a cidade; mandou fazer o recenseamento[19]; multiplicou os espetáculos, e, por causa de seus incentivos à literatura e às artes, a época ficou conhecida como o Período Áureo da literatura latina.

No ano trinta do seu reinado, o mundo estava em paz, quando se realizou o maior dos acontecimentos da história: o Nascimento de N. S. Jesus Cristo.


[18] Criada inicialmente para sua proteção pessoal.

[19] O censo, através dos censores, determinava os cidadãos e seus respectivos bens para colher posteriormente impostos.



(Compêndio da História Universal, 4ª Edição, S. Paulo, 1907 do Pe. Rafael Galante, pgs. 91-93)