É de extrema importância mostrar ao leitor como REALMENTE viviam os povos indígenas antes da chegada de Pedro Álvares Cabral no Brasil, e no começo do século XVI, para desmentir as fábulas do "nós contra eles" que contam os professores e ditos "intelectuais" brasileiros contemporâneos.
I. CARACTERÍSTICAS COMUNS DAS TRIBOS INDÍGENAS
Lemos frequentemente, e até aprendemos nos ensinos fundamental e médio, que os índios são os "verdadeiros brasileiros", que "viviam em paz, cultivando e tratando bem a natureza" e que "as terras brasileiras eram propriedade deles". Essas propriedades teriam sido então saqueadas e a "cultura indígena" subjugada pela "cultura do homem branco", incluindo costumes, língua, religião e governo.
Estes índios tinham completa falta de conhecimento do uso do ferro, utilizavam instrumentos feitos de pedra polida e de madeira, não usavam de qualquer forma de comércio ou escambo, pintavam seus corpos de diversas cores e conheciam o uso da cerâmica.
Compunham canções monótonas ou tristes, dançavam ou em círculos ou em filas, realizavam banquetes em que bebiam e comiam em excesso, tinham desprezo pela morte, indiferença pelo sofrimento do outro e se mutilavam constantemente de diversas formas.
Produziam esteiras, redes, cestos e anzóis de espinhos e de ossos, pescavam também com o uso de dardos e recolhiam as ostras que ficavam nas costas das praias. Faziam farinha tanto com mandioca, quanto com broto de samambaia e utilizavam ossos humanos para enfeitar suas aldeias.
As aldeias se chamavam "tabas", eram cercadas de pau a pique (caiçara), com uma única entrada. Dentro das tabas, se encontravam algumas "ocas", dispostas circularmente em
torno de uma praça (ocara) e cobertos com folhas de palmeiras. Nesse rancho, cada família armava suas redes e acendia seu fogo sem chaminé. Geralmente, as mudanças de localização das tabas, eram feitas de quatro em quatro anos, e resolviam-se em conselho da tribo. Os motivos principais de não permanecerem no mesmo local eram: o apodrecimento das madeiras das ocas, das folhas de palmeiras do teto, que já não cobriam as ocas totalmente, a ausência dos animais na localidade, devido a caça constante, e, se a tribo cultivava agricultura, por não terem conhecimento suficiente para conservar, acabavam desmatando grandes terras, de modo que chegava a um ponto em que eles precisavam mudar de região. As tabas abandonadas denominavam-se "tapera", ou, em tupi, "taba uêra", que significam "aldeia abandonada".
ANTROPOFAGIA
A maioria comia carne humana por rivalidade das tribos, principalmente após as guerras que travavam, com exceção dos Tapuias e dos Goitacases, que realmente caçavam seres humanos e dos Carijós e Tapuias do Sul, que não comiam de forma nenhuma carne humana.
Historicamente se constata que este "apetite antropófago", que era para eles como "o néctar dos deuses", era o primeiro e principal motivo de eles iniciarem tantos massacres sucessivos contra seus povos inimigos, depois, outro motivo de guerra era o domínio dos litorais, que serviam para pesca e era mais abundante também para a caça.
"Mãozinha de um Tapuia"
Certa vez um jesuíta, tendo chegado a uma das aldeias dos sertões brasileiros, achou uma índia muito velha, que demonstrava que já estava em seus últimos dias de vida. Dando-lhe a Unção dos Enfermos, viu que a idosa estava com fome, então o padre perguntou à ela se não queria que buscasse algo especial para que ela pudesse comer. Foi então que a velha índia respondeu: "nada quero desta vida, tudo me aborrece, só uma coisa me poderia tirar agora essa fome. Ah se eu tivesse agora uma mãozinha de um menino Tapuia, de pouca idade, delicadinha, e pudesse chupar aqueles ossinhos, então me satisfaria. Porém, coitada de mim, não tenho quem vá buscar um destes para mim."
É evidente, nós sabemos que, devido os abusos de colonizadores, a população indígena sofreu grandes quedas, por causa das escravidões, dos extermínios justos ou injustos, das emigrações que foram obrigados a fazer e das sucessivas guerras em que derramaram o seu sangue. Entretanto, pelos números[1] atualizados que temos hoje, nós sabemos que, no século XVI, antes mesmo da chegada dos portugueses, a população indígena não chegou a povoar nem 1 índio por quilômetro quadrado[2] do território brasileiro e, provavelmente, estava em contínua queda, principalmente por causa das sucessivas guerras de extermínio que mantinham entre si, o que, além de impedir o crescimento populacional, não permitia nem, ao menos, a constância demográfica deles, ou um crescimento ainda que moderado.
Ademais, era perfeitamente comum as próprias famílias que compunham as tribos criarem inimizades entre si, se separarem e estenderem esse ódio mútuo por gerações a frente. O próprio fato dos indígenas, quase sempre, se auto denominarem "Tupinambás" e falarem a língua Tupi, denota que esses povos eram descendentes de um só povo e que, deste povo, foram criando diversas dissidências, a ponto de existirem tantos povos, mas com características gerais tão semelhantes. Por isso mesmo, não se pode dizer que o índio era "patriota" ou que tinha qualquer noção de "corporativismo indígena", nem antes e nem durante a colonização isso aconteceu.
Em geral, eram panteístas, e tinham como objeto de culto elementos da natureza como o sol e a lua. Porém, tinham alguns personagens exclusivos de culto tais como "caipora", "curupira", entre outros.
[1](https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/historia-indigena/os-numeros-da-populacao-indigena.html)
[2] (A cifra que chegamos pelo cálculo do número de índios que tínhamos no Séc. XVI pela Área do território brasileiro é de 0,28 índio/km²)
II. PRINCIPAIS TRIBOS DO BRASIL E SUAS RESPECTIVAS CARACTERÍSTICAS
A separação dos povos indígenas foi feita naturalmente entre tribos mansas e amigáveis em relação aos portugueses, essas tinham alguns traços de civilidade e hierarquia e falavam a língua Tupi. Já as outras tribos, eram altamente ferozes, repulsivas e agressivas, não só com os portugueses, mas também com outras tribos, demonstravam características bárbaras, selvagens e falavam um idioma desconhecido por todos. As primeiras deixavam-se ser instruídas e civilizadas pelos portugueses, as outras não deixavam ser instruídas e eram muito violentas. As tribos que compunham o Brasil eram fatais inimigas umas das outras, quanto mais próximas e vizinhas eram, mais confrontos e ódio mortal tinham umas com as outras.
1. GUAIANASES
Ocupavam desde Angra dos Reis (RJ) até o Rio de Cananeia (SP). Eram vizinhos dos Carijós e dos Tamoios.
Eram mansos, honestos, inocentes, amigáveis e recebiam bem as instruções dos portugueses. Se alimentavam da caça, pescaria e da colheita de frutas.
Não viviam em tabas, mas em cavernas subterrâneas, onde conseguiam se manter aquecidos com o fogo aceso dia e noite. Não fabricavam e nem conheciam a rede, dormiam no chão sobre peles e camas de folhas.
Se defendiam constantemente dos ataques feitos pelos Tamoios, que tentavam tomar suas terras. Não matavam índios de outros povos, a não ser que estivessem em guerra, no entanto, dos prisioneiros dessas batalhas, faziam-se escravos uns dos outros.
RITUAIS DE CRUELDADE
Quando algum deles morriam, eles enforcavam alguns amigos ou parentes do morto, pessoas do mesmo sexo e, quando era possível, da mesma idade do falecido, pois acreditavam eles que no "plano espiritual", essas pessoas o fariam companhia. Caso faltassem vítimas voluntárias para este costume diabólico, completava-se o número necessário a força. Se o morto era um dos chefes, sacrificavam-se seus vassalos no lugar de seus parentes.
Outro costume cruel e exclusivo deles, era quando os índios que se tornavam idosos, ou contraíam uma doença grave ou tinham o desejo de suicidar-se e eram enterrados vivos. Após o índio ser coberto de resina de árvore, depois com penas coloridas de diversas aves, era aberta uma cova e colocada um jarro dentro. Antes de se suicidar, toda a tribo festejava com ele. Posteriormente, ele entrava dentro deste jarro, era coberto por barro pesado e depois completava a cova com areia.
2. GOITACASES
Habitavam mais ao norte do Rio de Janeiro, às margens do Rio Paraíba do Sul (RJ), mais precisamente na cidade de Campos, que até hoje se chama "Campo dos Goitacases" (RJ). Eram vizinhos dos Tabajaras, dos Tamoios e dos Tupiniquins.
Os Goitacases eram divididos em três tribos: os goitacá-mopis, goitacá-guaçus e goitacá-jacoritós, que guerreavam constantemente entre si, e preferiam comer a carne uns dos outros com mais frequência do que caçar animais silvestres.
Tinham a pele mais clara, cultivavam legumes, caçavam e pescavam. Eram nadadores muito valentes, caçavam tubarões para comer e aproveitavam os dentes para afiar as flechas. Não tinham cama e dormiam no chão sobre folhas.
3. PAPANASES
Estabelecidos entre Espirito Santo e Porto Seguro (BA), eram vizinhos dos Tupiniquins e Goitacases, e acabaram migrando para o interior, depois de serem expulsos pelas tribos vizinhas.
Caçavam, pescavam e comiam frutas. Dormiam no chão em cima de folhas.
Se um deles cometesse homicídio, ainda que não intencional, era entregue aos parentes da vítima, e, na presença da família de ambos, era imediatamente estrangulado e enterrado. No ato da execução, todos choravam muito e depois comiam e bebiam juntos por muitos dias, afim de criarem laços de amizade. Caso o assassino fugisse, o filho, a filha ou o parente mais próximo dele era feito escravo pela família da vítima.
4. TUPINIQUINS
Habitavam as costas de Porto Seguro (BA) e Ilhéus (BA), vizinhos dos Tupinaes, que se localizavam mais ao interior. No início resistiram aos portugueses e entraram muitas vezes em guerra contra eles. Porém, passado algum tempo, fizeram as pazes com os portugueses e se tornaram os seus mais fiéis, valentes e leais parceiros entre os indígenas.
Praticavam a agricultura plantando mandioca e outros legumes. Ajudaram na guerra contra os Aimoré, que saíram do interior em direção à costa para tomá-la.
5. AIMORÉS/BOTOCUDOS/TAPUIAS
Procuravam habitar mais o interior, nos sertões do Brasil, principalmente após serem expulsos da costa pelos Tupinambás. Não tinham como idioma o Tupi e eram chamados pelos próprios indígenas de Tapuias, que significa em síntese "inimigos" ou "contrários". Eram inimigos de todas as demais tribos vizinhas ou não-vizinhas, pois eram traiçoeiros, desonestos e altamente bárbaros.
Tinham o costume de comer carne humana, como se comessem carne de qualquer outro animal, diferente das outras tribos que comiam por vingança e por ocasião de rivalidades antigas de tribos. Entre as próprias tribos Tapuias havia o costume de entrar em guerra, somente para satisfazer o "apetite" de comer carne humana. Viviam procurando alguém para assassinar e comer sua carne, nunca frente a frente, mas sempre escondidos, planejando armadilhas traiçoeiras a qualquer homem que passasse pelo seu caminho, e se alguém os visse, corriam logo para se esconder.
Não plantavam, nem cultivavam nada, colhiam frutas, caçavam animais e comiam sua carne crua, ou, se tivesse fogo, mal-passada. Quando eram presos, se recusavam a comer e acabavam morrendo de fome.
Eram guerreiros fantásticos, de estatura muito grande, conhecidos por nunca errarem uma flechada e corredores fabulosos, no entanto, não sabiam nadar de nenhum modo, nem usavam canoa ou jangada. Constantemente faziam as pazes com os portugueses, mas ou por deslealdade ou por malícia, tratavam de logo trair o homem branco. As capitanias de Ilhéus e Porto Seguro sofreram muito com os ataques dos Aimorés, pois eles matavam indiscriminadamente escravos, portugueses e todo tipo de gente que viam pela frente. As pessoas não saíam a noite nessa região, pois era muito perigoso, com grande chance de serem mortos por Aimorés. Em vinte e cinco anos eles mataram 300 portugueses e 3.000 escravos naquela região. Contava-se na época que para fugir deles, não adiantava correr, pois logo eles conseguiam alcançar, mas, precisava-se fugir para dentro do mar ou rio, onde eles não ousavam entrar.
Cada tribo deles não passava de 50 integrantes, eram como gafanhotos devastando tudo por onde passavam, fazendas, florestas e pessoas, todos os dias, pois não ficavam nem um dia se quer em um local e não viviam em tabas como as outras tribos. Não usavam nenhum tipo de traje, dormiam no chão sobre folhas e quando chovia, tratavam de procurar ficar debaixo de uma árvore, juntando mais folhas em cima para se protegerem da chuva.
COSTUME NÔMADE
À véspera do dia, o Superior da tribo reunia os seus muitos feiticeiros, e adivinhadores, e, feito o conselho, perguntava, aonde iam se estabelecer no dia seguinte, o que iam fazer nele e de que maneira iriam caçar. Então o oráculo determinava a forma como eles iam partir. Antes que se preparassem para se mudar, iam todos juntos se lavar em algum rio ou fonte de água, feito isso, esfregavam em seus corpos lodo ou terra, e se lavavam uma segunda vez. Depois que saíam da água, acendiam uma fogueira, e junto à ela, iam ferindo seus corpos com dentes de animal em diversas partes, até sair bastante sangue, pois eles acreditavam que, com isso, iriam evitar o cansaço na viagem até o outro lugar.
Quando chegavam ao lugar destinado por seus feiticeiros, os homens mais novos iam no mato, cortavam ramos e faziam barracas toscas, e pequenas, chamadas, como eles, de Tapuias, e logo entravam nelas mulheres, crianças e tudo o que levavam consigo. Feito esta "habitação", que iria durar um dia, os homens iam à caça e buscavam mel. As mulheres mais velhas buscavam raízes de ervas e frutas. As mais novas ficavam na cabana, e iam preparando as coisas para a sobrevivência de um dia naquele lugar. No tempo livre cantavam, dançavam, pulavam, e lutavam, e assim iam levando a vida. No período da tarde, o Superior voltava a consultar seus feiticeiros sobre o dia seguinte e assim era todos os dias dessas tribos tapuias.
6. AMOIPIRAS
Viviam nas margens do Rio S. Francisco. Tinham a mesma linguagem e costumes dos Tupinambás.
Cortavam árvores com ferramentas de pedras e desmatavam para construírem suas aldeias. Para plantar mandioca, usavam para cavar a terra uma ferramenta pontiaguda feita de madeira. Pescavam com espinhos tortos, que serviam como anzóis e caçavam com flechas.
Eram vizinhos dos Ubirajaras, com quem constantemente travavam guerras, e comiam a carne uns dos outros, sem perdoar a vida de nenhum deles, até se por a caso se encontrassem alguma vez.
7. CAETÉS
Ocupavam a costa de Pernambuco até o Rio S. Francisco. Travavam constantemente guerras, principalmente contra os Potiguares.
Para atravessarem o Rio, fabricavam canoas (juncadas ou jangadas) de uma espécie de palha comprida, que uniam em molhos, muito apertada com cipós e varas fortes de cana. Eram tão grandes, que podiam levar dez ou doze pessoas. Deste modo, normalmente também atacavam os Tupinambás do outro lado rio.
No sertão, habitavam próximos aos Tapuias, com os quais também faziam guerras e, se venciam, se alimentavam de todos os corpos.
Foram grandes opositores dos primeiros colonos. Tramavam armadilhas para matar e comer a carne de quem aparecesse próximo às suas habitações, como aconteceu com o primeiro Bispo do Brasil, D. Pedro Fernandes Sardinha e com os pobres homens, mulheres e crianças que cruzaram seu caminho.
O MASSACRE
Precisando retornar à Portugal, D. Pedro Fernandes Sardinha embarcou nesta terrível viagem com diversas famílias, incluindo mulheres e crianças. No décimo quarto dia navegando, eles sofreram uma grande tempestade, com trovões e relâmpagos em alto mar e acabaram se perdendo e depois naufragando.
Uns a nado, outros embarcados em batéis, foram amigavelmente recebidos pelos Caetés na costa. Estes, fingindo estarem compadecidos da situação deles, levou-os até a aldeia, acendeu a fogueira, trouxeram mantimentos e cuidaram dos que se feriram. Entretanto, os portugueses ficaram muito desconfiados com aquela tal hospitalidade. Olhavam ao redor e viam diversos ossos humanos e caveiras espalhadas pela aldeia.
| Homenagem a D. Pedro Fernandes Sardinha em Salvador |
Eram muitos caetés comparados aos portugueses, que eram formados em sua maioria por mulheres e crianças e estavam desarmados.
Por fim, depois de se despedirem, os índios mostraram àquelas pobres pessoas, o caminho de volta, direcionando à armadilha preparada, e, chegando eles próximos a um rio, se depararam com índios selvagens e ferozes que estavam escondidos na mata. Mataram alguns a flechadas e outros carregaram vivos, como se fosse qualquer animal que tivessem caçado. Não tiveram piedade, nem ao menos das crianças, as quais eles arrancavam os braços com um penedo e as que mais choravam eles abriam a cabeça ou o peito com facões de madeira.
O Bispo D. Pedro, que tinha atravessado o rio em uma balsa, vendo aquela carnificina e ouvindo os gritos de selvageria daqueles bárbaros e os de desespero das pessoas, quando estendeu sua cabeça para pedir ajuda à Nosso Senhor, para saber o que fazer, avistou diversos selvagens nas margens do rio, de modo que o prelado começou a acenar, para que eles entendessem que ele vinha em sinal de submissão, para ajudá-los, no entanto, ao se aproximarem, eles derem um golpe com uma maça, arma brutal usada por eles, em D. Pedro, o que fez com que abrisse sua cabeça ao meio. Esses nativos diabólicos levaram o prelado para aldeia, o devoraram e guardaram seus ossos para se gabarem de tal desumanidade.
8. CARIJÓS
Habitavam as costas próximas de S. Vicente (SP), que iam desde o Rio Cananeia (SP) até o Rio dos Patos (PR). Pelos lados do Rio Cananeia, eram vizinhos dos Guaianases pelos do Rio dos Patos eram próximos dos Tapuias do Sul.
Não tinham inclinação para guerra, porém travavam algumas guerras contra os Guaianases, no entanto, quando viam que estavam em desvantagem, ambos se escondiam no mato, pois tanto uns, quanto os outros, não sabiam caminhar pelas matas.
Pescavam, caçavam, cultivavam algumas lavouras e plantavam mandioca. Não comiam de nenhum modo carne humana e nem assassinava os brancos.
Viviam em casas bem cobertas e vestiam couros de animais que matavam, devido ao frio que fazia naquela região.
9. TAMOIOS
Habitavam as costas do Rio de Janeiro ocupando entre Angra dos Reis (RJ), Cabo Frio (RJ) e Cabo de S. Tomé (RJ).
Se uniram aos franceses, na chamada "Confederação dos Tamoios". Praticavam comércio constante com os franceses, que os armavam, fortificavam, enriqueciam e também lutavam lado a lado contra os portugueses.
Eram inimigos de todas as outras tribos, com exceção dos Tupinambás, de quem se diziam serem parentes. Tinham como rivais principais os Goitacases, com quem faziam fronteira no Espírito Santo e os Guaianases, nas proximidades da capitania de S. Vicente. Em todas as guerras, se venciam, comiam com grande gosto a carne dos inimigos.
10. TUPINAMBÁS
Era a tribo que mais povoava o Brasil, ocupando Estados como: Pará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e nas regiões de Tamaracá e Rio S. Francisco.
Disputavam com os Tobaiaras o título de primeiro povo das costas brasileiras. De fato, como afirmam os cronistas, as demais tribos tinham muitas similaridades com os costumes e a língua dos Tupinambás.
Tinham tabas e ocas mais bem confeccionadas que todos os outros povos. Foram grandes guerreiros e se defendiam continuamente dos ataques dos Caetés.
Eram ótimos agricultores. Foram eles que alegaram ter conhecido S. Tomé, e que este teria ensinado o plantio de mandioca a eles.
11. TOBAIARAS/TABAJARAS
Se denominavam os mais antigos habitantes das costas do Brasil. Aqui paira um entrevero sobre o nome desta tribo, pois há alguns que afirmem que em tupi "TOBA" (rosto/face) "IARA" (senhor), signifique "Senhor da Face", pois eles chamavam as costas das praias de "Face" e há outros que alegam significar "TABA" (aldeia) "IARA" (senhor), ou seja, "Senhor da Aldeia" e, por último, há alguns que dizem ser "TOBAÎARA", que significa "Inimigos". Sem entrar em tal disputa linguística, podemos afirmar que tiveram grande importância, tanto para a história dos índios, quanto para os portugueses.
Foram os primeiros a se aliarem com o homem branco, se dispuseram prontamente à se converter ao cristianismo e ajudaram os portugueses em grandes batalhas contra outros indígenas selvagens, principalmente contra os Potiguares, que já eram antigos inimigos.
12. POTIGUARES
Ocuparam os litorais do Rio Grande do Norte até o Rio da Paraíba (PB) e Pernambuco.
Eram reconhecidos como grandes experientes nas batalhas. Guerreavam ordinariamente contra todos que detinham os litorais do Brasil, tais como contra os Tobaiaras e Caetés pelo domínio de Pernambuco e nas proximidades de Jaguaribe (CE), eram vizinhos dos Tapuias e, em certos tempos se aliavam contra outros Tapuias vindos do Sertão, e em outros desfaziam as alianças e voltavam a se matar.
Foram grandes devoradores do homem branco nas capitanias, incluindo os filhos do grande historiador português João de Barros. Fizeram grandes estragos contra os portugueses, com a ajuda e influência dos franceses, principalmente em Tamaracá (PE), Paraíba e Rio Grande do Norte.
13. TAPUIAS DO SUL
Viviam nas regiões da capitania de S. Vicente, desde as margens do Rio dos Patos (PR) até o início do Rio da Prata (PR). Viviam mais no interior, porém iam para a costa para pescar.
Não tinham aldeia, nem cultivavam a agricultura. Devido ao frio que fazia na região, para dormirem, faziam cobertores dos couros de animais que matavam para comer, tais como veados e corças.
Eram Tapuias totalmente diferentes dos Aimorés, pois eram gentis, de temperamento amigável, não comiam carne humana e nem atacavam o homem branco que mantinha contato com eles. Os moradores da capitania mantinham um comércio de escravos com estes índios em troca de porcos, galinhas e outras coisas. Entre os maiores comerciantes de escravos indígenas da capitania, estava Pedro Corrêa, que posteriormente, foi convencido pelo Padre Leonardo Nunes a libertar os índios, e, depois que se tornou cristão, decidiu entrar na Ordem jesuíta e passou a liderar a catequese de índios na Capitania de S. Vicente e também praticou grande caridade com os índios.
Tinham um costume macabro de cortar os dedos na primeira junta quando morriam um parente próximo, segundo eles, para chorarem com mais profundidade a perda do familiar, de tal modo que, se encontravam alguns membros da tribo, mais velhos, que só tinham as mãos, sem nenhum dedo.
Esta tribo de Tapuias, como descrevem os documentos históricos portugueses, que viviam no Sul do Brasil, mostra como é falacioso o argumento de "contadores de lorotas", de que os portugueses colocaram o nome das tribos que não colaboravam com a colonização de "Tapuias", de forma pejorativa, como se não fossem assim chamados desde sempre pelas próprias tribos Tupis, por não falarem a mesma língua e manterem costumes totalmente selvagens e bárbaros, até mesmo para os indígenas.
BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA
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P. Simão de Vasconcellos, Crônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil, Vol. I, L. I, pgs. 86-89; 100-101; L. II, pgs. 122-125, 1865;
Fr. Antônio de Santa Maria Jaboatão, Crônica dos Frades Menores da Província do Brasil, Vol. I, P. I, dig. II, est. I, pgs. 9-35, 1858;
Gabriel S. de Sousa, Tratado Descritivo do Brasil, Cap. XXXII; CLXXXI; pgs. 47-49; 313-314, 1587
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