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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Constantino, o Grande

1. A BATALHA DA PONTE MÍLVIA

Após a declaração de guerra de Magêncio, Constantino avançou contra as suas tropas em direção a Roma.

Segundo os historiadores Eusébio de Cesaréia (265 - 339) e Lactâncio (250 - 325), ambos afirmam que Constantino viu em sonho os símbolos[1] que deveriam ser usados por seu exército para vencer a guerra. Conta o historiador Zósimos (século V) que antes da batalha Magêncio se refugiou no seu castelo para consultar oráculos e videntes, e realizar sacrifícios aos deuses pagãos.[2]

Batalha da Ponte Mílvia
Constantino marcou em seus escudos com a Cruz de Cristo e avançou contra o exército de Magêncio. Quando estavam no embate, se encontrava Magêncio junto com seu exército na Ponte Mílvia, sob o Rio Tibre, que ele mesmo construiu para guerra, no entanto a ponte não aguentou o peso e ruiu, fazendo com que o tirano se afogasse junto com suas tropas.[3]

[1] (Alguns historiadores secundários interpretam Lactâncio afirmando que Constantino teria marcado seus escudos com as letras gregas "X" e "P", que juntas produziam um monograma formando o nome de Cristo)
[2] (Lactâncio, De Morte Persecutorum, 43)
[3] (Zosimus, Nova História)

2. O GOVERNO DE CONSTANTINO

Após a derrota de Magêncio, Constantino acabou por selar a paz com Licínio, por ter ajudado na guerra.

Licínio ficou então como "Augusto" do Oriente em 312, porém se tornou inimigo cruel dos cristãos, Constantino, então protegendo os cristãos, foi a guerra contra Licínio, que acabou se rendendo em 314. Entretanto, Licínio declarou guerra uma segunda vez, foi derrotado em Tessalônica[4] e posteriormente se enforcou.

Constantino, apesar de ter sido influenciado por sua mãe, S. Helena (250 - 330) não se declarou cristão a princípio, nem declarou esta como a religião do Império, porém, protegeu o cristianismo e reconheceu aos cristãos, através do chamado Edito de Milão (313) o direito de culto público, e também, o direito da Igreja Católica possuir terras, de manter autonomia sem interferência do Império em suas leis e de acolher em suas igrejas criminosos e escravos.

Adotou também políticas de Estado vindas da moral cristã, tais como: a proibição da escravidão, a proibição de vender e/ou matar os filhos, seja dentro do ventre da mãe[5] ou fora, auxílio estatal às famílias pobres que não conseguissem criar seus filhos, proibição da crucificação, combates dos gladiadores, etc..[6]

[4] (Atualmente território da Grécia)
[5] (Segundo os costumes da civilização da época, a mulher que não quisesse ter seu filho poderia tomar venenos abortivos que matassem seu filho dentro do seu ventre ainda.)
[6] (J. J. da Rocha, Compêndio da História Universal, Vol. I, Cap. XXXVIII, pg. 185; P. R. Galante, Compêndio da História Universal, "História Romana", P. III, Ep. V, 156)

3. PRIMEIRO CONCÍLIO DE NICÉIA

Surgiu neste meio tempo um diácono de Alexandria chamado Ário (250 - 336), que afirmava hereticamente que N. S. não era Deus, ou seja, negava a divindade de Jesus Cristo. Vendo tamanha confusão causada por essa heresia no Oriente, o Imperador Constantino convoca em 325 o chamado I Concílio de Nicéia, onde propõe para a Igreja resolver o embate que havia até então entre S. Alexandre (250 - 326) que defendia a divindade de Jesus e Ário que negava.

No Concílio estavam presentes 318 padres, que decidiram: excomungar Ário, o celibato dos padres, a data da Páscoa, e a hierarquia da Igreja, estabelecendo patriarcas, arcebispos, bispos diocesanos nas capitais e províncias, presbíteros, diáconos e subdiáconos encarregados de visitar os enfermos e as ordens menores dos acólitos, exorcistas, leitores e porteiros e principalmente confirmando a Primazia do Bispo de Roma como sucessor de S. Pedro e chefe da Igreja.
Concílio de Nicéia

Uma advertência há de ser feita aqui ao leitor sobre este assunto, pois, há uma certa discussão levantada por cismáticos e hereges em que teria uma suposta "interpretação" do Cânon 6 deste concílio, onde diria, segundo esses hereges, que o Bispo de Roma não teria autoridade nenhuma sob os outros bispos, de modo contrário, teria a mesma autoridade dos patriarcas. Sem entrarmos no mérito da discussão de "traduções" e "interpretações" do Cânon, como já demonstramos a primazia do Papa no artigo anterior nos primeiros três séculos, portanto, antes de Nicéia, não precisamos ir muito depois do término do Concílio para confirmamos a existência de uma autoridade na Igreja Cristã.

Provamos isto em quatro documentos específicos do século IV:

I. Carta do Papa Júlio I (Pontificado: 337 - 352) aos Antioquenos datada do ano de 341, onde o Sumo Pontífice adverte a Igreja de Antioquia para preservar a hierarquia da Igreja Católica decidida no I Concílio de Nicéia, que diz: "[...] segundo o cânon eclesiástico [...] Porque não foi escrito à nós?[Roma] Por acaso ignorais que o costume era este: que se escreva primeiro a nós e daí venha a ser estabelecido o que é justo?"[7]

II. Concílio de Sárdica do ano de 343, onde seguindo o Concílio de Nicéia, ordenava os bispos a recorrerem à autoridade da Sé de Roma: "Se, porém, aparecer que um dos bispos em determinada causa tenha sido condenado, e ele estiver convencido de ter não uma causa débil, porém justa, de modo que o veredicto possa ainda ser renovado, se parecer bem à vossa caridade, honremos a memória do Apóstolo Pedro, e escreva-se, por parte daqueles que julgaram, a [Júlio,] o bispo de Roma, para que, se necessário, os bispos vizinhos daquela província renovem o julgamento, e que ele designe os árbitros [...] se um bispo foi acusado, e os bispos da sua região, reunidos, o tiverem removido de seu grau, e ele, como apelante, se refugiou junto ao beatíssimo bispo da Igreja dos romanos e <este> quiser ouvi-lo e achar que seja justo, seja renovado o exame de sua causa, ele se digne escrever aos bispos vizinhos daquela província, para que eles, com solicitude e diligência, tudo indaguem e, segundo a credibilidade da verdade, apresentem uma sentença sobre a causa."[8]

III. Carta do Concílio de Sárdica do ano de 343, confirmando, não só a decisão de recorrer à Sé de Roma, mas também que ele é a cabeça da Igreja: "Esta, de fato, parecerá ser a coisa melhor e mais apropriada: que os sacerdotes do Senhor de todas as províncias recorram à cabeça, isto é, à sé do Apóstolo Pedro."[9]

IV. Carta do Papa Sirício respondendo ao bispo da província de Tarragona[10] sobre o batismo dos hereges e o celibato dos padres: "Não negamos a resposta correspondente à tua consulta, já que, em consideração ao nosso ministério, não podemos dissimular nem temos a liberdade de calar, pois que nos incumbe, mais do que a todos, o zelo pela religião cristã. Levamos o peso de todos os que estão sobrecarregados; ou, mais ainda, leva-o conosco o bem aventurado apóstolo Pedro, que em tudo, conforme acreditamos, nos protege e defende enquanto herdeiros do seu ministério. [...] acompanhando uma carta tua, tudo quanto por Nós em salutar disposição foi estabelecido obtemos assim, de um lado, que permaneçam incorruptas aquelas coisas que, não desconsideradamente, mas com previsão, com máxima prudência e ponderação, foram salutarmente estabelecidas por nós; de outro, que a todas as futuras escusas se feche o acesso, que junto a Nós a ninguém mais poderá ficar aberto."[11]

[7] (Denz. Hünermann, 132) 
[8] (Op. cit., 133 e 135) 
[9] (Op. cit., 136) 
[10] (Atualmente cidade da Espanha)
[11] (Op. cit., 181 e 182)

4. O FIM DA VIDA DE CONSTANTINO

Constantino após transferir a capital do Império de Roma para Bizâncio, o que depois tomou o nome de Constantinopla, no fim de sua vida foi convencido por arianos infiltrados em sua corte de que Ário estaria certo em sua doutrina. Foi batizado por Eusébio de Nicomédia, bispo ligado à Ário.

O Imperador exilou S. Atanásio (296 - 373) que tanto lutou contra o arianismo em Alexandria, matou seu próprio filho Crispo (299 - 326) que, por ciúme, fora acusado por sua madrasta e posteriormente, reconhecendo a inocência do filho e se arrependendo, mandou matar sua esposa Fausta (289 - 326).

Constantino, o Grande, faleceu no ano de 337, na cidade de Nicomédia, Turquia.[12]

[12] (J. J. da Rocha, Op. cit., pg. 188)

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Cristãos Primitivos - PARTE II

Este capítulo pertence a uma série sobre a cristianização do Ocidente.

1. CRESCIMENTO E PROPAGAÇÃO DO CRISTIANISMO

Segundo a Era Cristã, Jesus Cristo nasceu no ano trinta do reinado de Augusto, 753 de Roma. Batizado por S. João Batista, iniciou sua divina pregação no 15º ano do Imperador Tibério, tendo uns trinta anos de idade. Morreu, ressuscitou e subiu ao Céu no 18º ano do mesmo imperador, 33º da sua idade.

Os apóstolos, depois de receberem o divino Espírito Santo, fundaram a Igreja de Jerusalém, celebrando ali mesmo o primeiro Concílio[1]. Dividindo entre si todo o mundo e inaugurando os primeiros bispados, selaram sua fé com o próprio sangue. S. Pedro foi para a Antioquia, e depois para Roma, onde derrotou Simão, o Mago[2] e recebeu a coroa do martírio juntamente com S. Paulo, que tinha pregado na Ásia Menor, na Grécia, na Ilha de Chipre, e talvez também nas Gálias, na Espanha e na Grã-Bretanha.


Pentecostes, o início da Igreja

O Cristianismo foi propagado com admirável rapidez, segundo consta na carta de Plinio (61 d.C. - 114 d.C.)[3] ao Imperador Trajano (Reinado: 98 d.C. - 117 d.C.) e pela de Graniano (Procônsul da Ásia, Mandato: 121 d.C. - 122 d.C.) ao Imperador Adriano (Reinado: 117 d.C. - 138 d.C.), os quais no início do século II afirmaram que na Ásia haviam cidades inteiras de cristãos. No fim deste mesmo século, Tertuliano (160 d.C. - 220 d.C.)[4], S. Irineu, bispo de Lyon (130 d.C. - 202 d.C.) e S. Justino, teólogo do século I (100 d.C. - 165 d.C.) em escritos apologéticos puderam assegurar que os Cristãos já tinham penetrado por toda a parte, de modo que se fossem mortos, muitas cidades e províncias ficariam desertas. Não se pode dizer, também, que só se convertiam os pobres e ignorantes, porque achamos entre eles filósofos, senadores, procônsuls, generais, e até parentes próximos do Imperador. 

Entre os meios que de algum modo facilitaram esta propagação, estão: a unidade do Império Romano; a multiplicação da língua grega; a civilização material e intelectual sofrivelmente adiantada e uma espera de suas reparações.

[1] (Livro dos Atos dos Apóstolos, Cap. XV)

[2] (Ilusionista relatado nas Escrituras, no Livro dos Atos dos apóstolos, que tentou comprar dos apóstolos o poder que Nosso Senhor lhes dera de operar milagres.)
[3] (Era chamado de "Plinio, o jovem", foi orador e panegírico do Imperador)
[4] (Teólogo, autor de alguns dos primeiros documentos do cristianismo primitivo)

2. SUPREMACIA DO PAPA

Jesus Cristo demonstrou a divindade de sua missão por inumeráveis milagres e bem assim por sua vida e Santa Doutrina. Insistiu muito em provar sua humanidade e divindade; ensinou a Unidade e a Trindade de Deus, a eternidade da vida futura, o amor a Deus e ao próximo, a humildade e mortificação da carne, a pobreza efetiva ou de espírito e a castidade, como obrigação; a pobreza efetiva e a virgindade, como conselho, etc. Elevou a Sacramento o Matrimônio, que declarou indissolúvel por sua natureza; instituiu o sacerdócio e o episcopado, etc. 

Ao mandar os Apóstolos pregar em todo o mundo[5], conferiu-lhes o poder de perdoar os pecados (poder das chaves)[6], e lhes prometeu sua assistência perpétua[7]. Por fim, colocou S. Pedro a frente de sua Igreja contra a qual "as portas do inferno não prevalecerão"[8]
São Pedro com as chaves dadas por N. S. Jesus Cristo


A supremacia do Papa nos primeiros séculos, prova-se pelos seguintes acontecimentos: 

1) Recurso da Igreja de Corinto à Santa Sé (século I)[9];

2) Pela questão da data da Páscoa entre os papas S. Aniceto (Pontificado: 155 d.C. - 166 d.C.) e S. Vitor (Pontificado: 189 d.C. - 199 d.C.) de um lado e os bispos S. Policarpo (de Esmirna; 69 d.C. - 155 d.C.) e Policrates (de Éfeso; 125 d.C. - 196 d.C.) do outro, pois estes não negavam que o Papa pudesse intervir nos negócios da sua diocese, embora recusassem obedecer apelando para as tradições locais.[10]

3) Pelos os acontecimentos que ocorreram na perseguição do Imperador Romano Décio (Reinado: 249 d.C. - 251 d.C.) entre Roma e Cártago. S. Cipriano (210 d.C. - 258 d.C.), Bispo da Cidade de Cártago, foi acusado em Roma de ter abandonado seu rebanho, pois havia se escondido das perseguições do Império Romano. O Bispo de Cártago recusou reconciliar os apóstatas[11] que pediam desesperadamente para que fossem recebidos de volta na Igreja, não obtendo resposta, estes recorreram ao Papa S. Cornélio (Pontificado 251 d.C. - 253 d.C.). Em ambos os casos, o Santo Bispo, longe de negar a supremacia do Sumo Pontífice, justificou perante ele o seu proceder.[12];

4) Pela questão do Batismo dos hereges, ocorreu a divergência entre S. Cipriano, e o Papa S. Estevão I (Pontificado 254 d.C. - 257 d.C.). Embora S. Cipriano tenha defendido por algum tempo que o Batismo dos hereges era inválido, nunca recusou a autoridade do Papa, cuja decisão se submeteu no fim;

5) Pelo o que houve na ocasião do cisma de Novaciano (200 d.C. - 258 d.C.), que foi antipapa e negou o poder das chaves. Tendo o Papa S. Cornélio deposto três bispos que tinham sagrado o antipapa foi aplaudido por toda a Igreja.[13];

6)Pelo fato do Papa S. Dionísio (Pontificado 259 d.C. - 268 d.C.) ter chamado à Roma S. Dionísio de Alexandria (200 d.C. - 255 d.C.), que acusado de ter negado a Santíssima Trindade, não recusou obedecer o Bispo de Roma, de modo contrário, o Patriarca S. Dionísio se justificou e se retratou.

Entre os numerosos testemunhos dos primeiros séculos em favor da supremacia do Sumo Pontífice é precioso o de Tertuliano, quando já apóstata, declarou que o Papa é o bispo dos bispos. 

[5] (Ev. S. Marcos Cap. XVI, v. XV)
[6] (Ev. S. João Cap. XX, v. XXIII)
[7] (Ev. S. Mateus Cap. XXVIII, v. XX)
[8] (Ev. S. Mateus Cap. XVI, v. XVIII). 
[9] (O Papa S. Clemente enviou uma carta à Igreja de Corinto datada do ano de 97 d.C., que tinha o objetivo de repreende-los contra a injusta deposição dos presbíteros da Igreja, provando assim a superioridade hierárquica do Bispo de Roma)
[10] (Esta foi uma divergência histórica entre a Igreja Oriental e Ocidental sobre a data da Páscoa em que diante do impasse os Papas S. Aniceto e S. Vitor autorizaram a Igreja Oriental a seguir suas tradições de calendário, sem quebrar assim a comunhão com Roma)
[11] (S. Cipriano defendeu, por um tempo, que os cristãos que negavam a Cristo com receio do martírio deveriam ser "rebatizados")
[12] (Existe uma carta de S. Cipriano enviado à Igreja de Roma com o título de "Epístola 20" que justifica o porque ele se escondeu das perseguições. A lógica é que, se S. Cipriano não reconhecesse autoridade em Roma, não haveria o porquê de se justificar)

[13] (O que viria a ser futuramente conhecido, este gesto, como Aclamação Pública da Igreja, para confirmar a autenticidade do Papa escolhido pelo Magistério, para evitar falsos papas)

4. CONTRIBUIÇÃO CATÓLICA PARA AS CIÊNCIAS E AS ARTES DOS PRIMEIROS SÉCULOS

A Igreja Católica sempre promoveu, por toda a história, a ciência e as artes, sendo elas importantíssimas para desenvolver, ensinar e propagar seus dogmas, também para o seu culto e para defender-se dos contínuos ataques de seus inimigos.

Portanto a Igreja Católica é uma sociedade essencialmente sábia e civilizadora, não só no sentido de civilização moral, mas também intelectual e material. Foi por isto que a Igreja, seguindo o conselho de S. Pedro[14] e de S. Paulo[15]estabeleceu as escolas episcopais que foram os melhores focos de ciência, de artes e de civilização verdadeira. 

Já no século I, os simples fiéis da época escreveram O Pastor de Hermas.[16]

Fundaram no século II as escolas filosóficas de Alexandria, Cártago e de Roma. 

Ensinavam em Roma S. Justino e em Cártago, Tertuliano, S. Cipriano e outros.

A escola de Alexandria, que começou propriamente com S. Marcos (Evangelista) foi continuada por: S. Panteno (140 d.C. - 200 d.C.); S. Clemente de Alexandria (150 d.C. - 215 d.C.); Orígenes (185 d.C. - 253 d.C.); Dídimo, o cego (313 d.C. - 398 d.C.); S. Demétrio de Alexandria (? - 232 d.C.) e muitos outros ilustres teólogos, filósofos e oradores. 

Os primeiros cristãos cultivavam também as artes, as quais se provam pelas catacumbas e primeiras igrejas construídas nestes séculos. 


Catacumba do Papa S. Calisto, datada do século III. Ali está representado o peixe, símbolo para se identificar os cristãos na época e a Eucaristia em cima.
[14] ("Mas tratai santamente o Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre para responder a todo o que vos pedir razão daquela esperança que há em vós",  I Livro de S. Pedro, Cap. III, v. XV)
[15] ("Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus Cristo, e que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, capazes de instruir também a outros.",  II Epístola de S. Paulo à Timóteo, Cap. II, vs. I e II)
[16] (Obra usada pelos cristãos nos primeiros séculos para catequizar os recém-convertidos)

5. PRINCIPAIS HERESIAS

A. Século I

Podem-se dividir as heresias do século I em duas classes:

1) As que derivam diretamente do Judaísmo, e foram ensinadas por Cerinto (século I), pelos ebionitas e nazarenos. Estes defendiam a necessidade da lei mosaica; negavam a divindade de Jesus Cristo e a virgindade de Nossa Senhora.

2) As que emanam do paganismo. Seus chefes foram os nicolaítas, Menandro (século I), Himeneu e Fileto[17] que assumiam os títulos de gnósticos ou sábios. Suas doutrinas misturam opiniões filosóficas do Egito, da Índia e da Pérsia, referia-se sobretudo à criação da matéria e a existência do mal. Recusando a solução dada pela Igreja e pretendendo guiar-se exclusivamente pela razão natural, caíram nos maiores absurdos.

B. Século II 

1) Valentim (100 d.C. - 160 d.C.), Marcião (85 d.C. - 160 d.C.) e Cerdão (? - 138 d.C.), que revestindo o gnosticismo com capa de religião, o tornaram ainda mais perigoso. Foi deste novo gnosticismo que nasceram incontáveis heresias e heresiarcas. Ensinavam erros altamente grosseiros; admitiam a doutrina dos dois princípios[18]; praticavam grande imoralidade.[19]; e mostravam satânico orgulho se assoberbando contra os sábios.

2) Montano (século II) teve a pretensão de limitar o poder das chaves.

3) Milenaristas diziam que no fim do mundo os justos ficariam ainda por mil anos aproveitando todos os prazeres da Terra. É importante ressaltar que o milenarismo ensinado por S. Justino e S. Irineu, posteriormente condenado pelo Papa S. Dâmaso (Pontificado 366 d.C. - 384 d.C.), era muito diferente do dos hereges, que entrou em extinção ainda no século II. O santos excluíam dessa teoria todo prazer sensual, este sendo o ponto principal dos hereges. Erra, pois, ou mente Draper (1811 - 1882)[20], quando sem distinção, atribui o milenarismo à S. Justino e S. Irineu.

C. Século III  

1) O herege Paulo de Samósata (200 d.C. - 275 d.C.) ensinou haver duas pessoas distintas em Jesus Cristo: uma divina e a outra humana. Posteriormente foi deposto pelos bispos, porém só realmente abandonou seus postos eclesiásticos quando foi obrigado pelo Imperador Aureliano (Reinado: 270 d.C. - 275 d.C.)

2) Os maniqueistas professavam a doutrina dos dois princípios juntamente com uma infinidade de outros erros. Perseguidos na Pérsia, onde Manes (216 d.C. - 274 d.C.), seu chefe, morreu esfolado vivo, invadiram a Europa pelos meados do século III, perpetuando-se sob diversos nomes até hoje.

Todos esses hereges causavam gravíssimos males à Igreja, porque corrompiam seus dogmas fundamentais, e também iludiam os ignorantes, que, sendo pagãos, não sabiam distinguir a Santa Doutrina ensinada por N. S. Jesus Cristo aos Apóstolos da dos hereges.

[17] (II Carta de S. Paulo a Timóteo, Cap. II, vs. XVI a XVIII)
[18] (Acreditavam estes gnósticos que haviam dois deuses, o "mau" do Antigo Testamento e o "bom" do Novo Testamento)
[19] (Tais como suicídio, prostituição e libertinagens sexuais)
[20] (Historiador e cientista americano)

(Compêndio da História Universal, 4ª Edição, S. Paulo, 1907, Pe. Galante, pgs. 105-109)