Como já dissemos em outro artigo, se encontrava a civilização naquela época tomada de sensualidade e desvirtuação, agindo como verdadeiros animais. O triunfo dessa sociedade foi o Império Romano, que através de suas perseguições e crueldades germinou o cristianismo por todo o Mundo, fazendo com que, a cada sangue derramado, fosse plantado mais adeptos à verdadeira Religião.
Neste mundo se encontraram os cristãos, que pregavam penitência contra a sensualidade, purificação, abstinência e castidade.
A. Judeus
Por causa das confusões causadas pelos hereges (entenda aqui), principalmente os nazarenos e ebionitas, pelas calúnias dos filósofos, e também por pregarem que um nascido judeu era o próprio Deus, os cristãos eram constantemente confundidos com os judeus, para os romanos "cristão" e "judeu" era a mesma coisa. Os romanos tinham um ódio implacável dos judeus, pois estes, constantemente planejavam e conspiravam contra o Império Romano. Exemplo disto foram as três revoluções que fizeram, uma no Império de Nero e outras duas sob o de Trajano e Adriano, nas quais morreram milhões de judeus e romanos.
B. Religião
Os cristãos celebravam suas reuniões secretamente, guardando profundo respeito aos seus mistérios, obedecendo o que disse N. S. Jesus Cristo: "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas[...]"[1]. Por isso, os imperadores obrigavam os cristãos a idolatrarem a pátria e o imperador, e os que se negavam eram considerados antipatriotas, inimigos públicos, ímpios e até ateus.
[1] (Ev. S. Mateus, Cap VII, v.VI)
2. JUDEUS
Os judeus odiavam os cristãos principalmente porque estes não pegavam em armas contra os romanos, o que faziam com bastante frequência os judeus, vide as guerras judaico-romanas.
Assassinaram a pedradas S. Estevão e S. Tiago menor, assassinaram também S. Tiago maior e prenderam S. Pedro, além de incontáveis cristãos que privaram da vida, mas os garantiram a vida eterna.
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| Martírio de S. Estevão, assassinado por judeus |
Saulo de Tarso, que depois viria a ser convertido e renomeado por N. S., era o espelho dos judeus e dos implacáveis assassinos e perseguidores de cristãos da época.[2]
[2] ("[...] Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, apresentou-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém quantos adeptos deste caminho(doutrina) encontrasse, homens e mulheres.[...] Encerrei em cárceres muitos santos, e tendo recebido, para isso, poder dos príncipes dos sacerdotes, e, quando os faziam morrer, dava o meu voto. Muitas vezes, percorrendo as sinagogas, usava com eles de crueldade, obrigando-os a blasfemar; e enfurecendo-me mais e mais contra eles, perseguia-os até nas cidades estrangeiras." Lv. dos Atos dos Apóstolos Cap. IX v. I e II; Cap. XXVI, v. X e XI)
3. IMPERADORES E SUAS PERSEGUIÇÕES
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| Martírio dos primeiros católicos |
I. Nero (Reinado: 54 - 68)
Começou bem seu reinado, porém logo entregou-se a todos os vícios que o deram fama. Fez vítimas tais como sua própria mãe, sua esposa e generais do seu exército. Decretou a primeira perseguição aos cristãos, culpando-os pelo incêndio de Roma, que ele mesmo causou. Por ser admirador das artes morreu exclamando: "Que artista o mundo vai perder!"
II. Domiciano (Reinado: 81 - 93)
Louco e cruel como Nero e Calígula. Expulsou de Roma os filósofos, proibiu o cultivo da vinha e assassinou envenenado o General Romano Agricola, aquele que conquistou a Grã-Bretanha. Neste período, S. João foi mergulhado em um caldeirão de água fervente, como não morreu, foi enviado à Patmos, onde escreveu o Livro do Apocalipse.
III. Trajano (Reinado: 98 - 117) e Adriano (Reinado: 117 - 138)
Celebrou suas vitórias com jogos que duraram 123 dias, nos quais faleceram dez mil gladiadores. Consultando o seu panegírico Plinio, o Jovem, a respeito dos cristãos, este respondeu ao imperador: "Eis de que modo me comportei até o momento com aqueles que foram conduzidos diante de mim e acusados de ser cristãos. Perguntei diretamente a eles se são cristãos. Ao responder-me que sim, perguntei-lhes uma segunda e até uma terceira vez, advertindo-lhes que o reconhecimento de algo assim expressaria a morte. Aos que mantiveram sua declaração, ordenei que os executassem. A razão disso foi que não me cabia dúvida de que, qualquer que fosse a natureza do crime que confessavam, certamente este fanatismo e esta obstinação intransigente merecia a morte."[3] Por sua vez, o Imperador Adriano duplicou o salário dos soldados, perseguiu os cristãos e declarou guerra implacável os judeus. Destruiu a cidade de Jerusalém, e construiu uma outra em seu lugar chamada Élia Capitolina. Tinha uma relação homossexual e pedófila com o seu escravo sexual Antinoo, que era 38 anos mais novo que ele.
IV. Marco Aurélio (Reinado: 161 - 180)
Dividiu seu governo com Lúcio Vero (161 - 169), seu genro; combateu revoltas populares e expulsou os bárbaros. Quando estava em uma guerra contra os marcomanos[4] contava-se entre o exército uma Legião só de cristãos, estes já estavam cansados e morrendo de sede, após serem cercados, todos começaram a suplicar misericórdia a Deus, e ficaram livres graças a uma chuva milagrosa que saciou a sede dos soldados e, se transformando em um temporal, expulsou os inimigos com raios e trovoadas.[5] Tal acontecimento deu uma pausa à perseguição aos cristãos.
V. Sétimo Severo (93 - 211)
Matava cruelmente seus inimigos. Faleceu em York[6] dizendo: "Tudo fui e vi que nada vale!".
VI. Maximiano (235 - 238)
Tirano cruel, se matou enforcado, após ter tido o trono usurpado.
VII. Décio (249 - 251)
Morreu em uma invasão de bárbaros na cidade de Mésia.[7]
VIII. Valeriano (253 - 260)
Teve o Império invadido pelos bárbaros, foi preso pelos Persas e morreu esfolado vivo.
IX. Aureliano (270 - 275)
Resistiu à invasões de bárbaros que invadiam a Itália, na batalha contra os Persas, morreu vítima de uma conspiração vinda do seu próprio secretário.
[3] (Plinio, Cartas, L. X, Ep. 96, pg. 81)
[4] (Tribo germânica ligada aos suevos)
[5] (Esta Legião ficou conhecida como "Fulminante")
[6] (Atualmente território da Inglaterra)
[7] (Atualmente território da Sérvia)
4. TETRARQUIA E A DÉCIMA PERSEGUIÇÃO
Diocleciano (Reinado 284 - 305) apagou todos os vestígios da antiga república romana. Dividiu o Império entre Ocidental e Oriental. Nomeou Maximiano Hércules (Reinado: 286 - 305) como "Augusto" do Ocidente, de modo que ele seria hierarquicamente inferior, enquanto Diocleciano ficou "Augusto" do Oriente.
Tendo dividido em duas partes o Império, os "Augustos" nomearam "Césares", que ficariam como uma espécie de príncipes do Império, abaixo da autoridade dos "Augustos".
Diocleciano nomeou como "César" do Oriente Maximiano Galério (Reinado: 293 - 305), assim como Maximiano Hércules nomeou para o Ocidente Constâncio Cloro (Reinado: 293 - 305), configurando assim a "Tetrarquia".
I. Diocleciano
Depois de conseguirem diversas vitórias, Diocleciano mandou cunhar uma moeda com a inscrição "Cristiano nomine deleto" (Exterminando o nome de Cristo). Abdicou posteriormente junto com Maximiano Hércules o seu posto de "Augusto". Morreu de fome, depois de cuspir sua língua cheia de vermes.
II. Maximiano Hércules
Constantino, que já falaremos sobre esse imperador mais a frente, era sobrinho de Hércules, que por diversas vezes o "Augusto" tentou matar, fez com que Maximiano se enforcasse com suas próprias mãos.
III. Constâncio Cloro
Após a abdicação de Maximiano Hércules, assumiu o trono. Se recusou a perseguir os cristãos, e após morrer, passou seu título de "Augusto" do Ocidente a Constantino, seu filho.
5. FIM DA TETRARQUIA
Após a abdicação de Diocleciano e a morte de Constâncio, Maximiano Galério, sendo o "Augusto" do Oriente, reconheceu Constantino como, na verdade, "César" do Ocidente e nomeou em seu lugar Valério Severo (Reinado: 305 - 307) como "Augusto" do Ocidente, então passou a governar a Itália e a África.
No entanto, após a morte de Maximiano Hércules, seu filho Magêncio (Reinado: 306 - 328), influenciado por populares revoltados com os impostos do Império, reclamava por hereditariedade o título de "Augusto" do Ocidente, dado por Galério à Severo.
Valério, após Magêncio dar o golpe apoiado por populares, e ser proclamado "Augusto" da Itália e da África, foi preso em Ravena[8] e foi obrigado a se suicidar cortando suas veias.
Sendo Galério ainda "Augusto" do Oriente nomeou Maximiano Daia (Reinado: 305 - 313) como "César" da Ásia e Licínio (Reinado: 307 - 324) como "César" do Egito. Perseguiu ferozmente os cristãos, e morreu com seu corpo apodrecido, caindo aos pedaços.
Após a morte de Galério, Maximiano Daia e Licínio dividiram os territórios de Galério.
Daia perseguiu ferozmente os cristãos, provocou o martírio de S. Catarina de Alexandria, se aliou a Magêncio e rompeu com Licínio, este declarando guerra a ele, de quem perdeu sua última batalha, e morreu de dores horríveis após ser envenenado.
Magêncio, sendo tirano da Itália e da África, resolveu vingar a morte do seu pai e declarou guerra à Constantino. Licínio, nesta batalha que ficaria conhecida como "A Batalha da Ponte Mílvia", se aliou a Constantino.
Esta batalha seria o início do triunfo do cristianismo, após trezentos anos de sofrimentos e martírios.
[8] (Atualmente território da Itália)
FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
P. R. Galante, Compêndio da História Universal, "História Romana", P. III, Ep. I, 148; Ep. II, 150, 151; Ep. III 152 e 154; Ep. IV, 155.
J. J. da Rocha, Compêndio da História Universal, T. I, Cap. XXXVIII, pgs. 182-184.


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