Apesar de estradas excelentes, palácios esplêndidos e cômodos, aquedutos, banhos, espetáculos, literatura e tudo mais que pode agradar aos sentidos, a situação moral da época era decadente. Uma pequena parte da sociedade dominava a grande maioria, tratando-a como se fossem animais. Nas classes elevadas não se encontrava nem crença, nem boa fé, nem humanidade, nem sentimento de honra, porém o mais absurdo ceticismo, o orgulho, a moleza, a corrupção e uma desmedida ambição. O suicídio era comum, inclusive entre os generais e imperadores. As classes inferiores não pediam nada além de "pão e circo", mostrando-se sempre prontas a cometer qualquer crime para consegui-los. Ensinavam os filósofos doutrinas absurdas: a literatura, o teatro e a própria religião eram focos de hedionda imoralidade. Existiam, em média, 200 escravos para cada homem livre, eles eram tratados como animais, como instrumentos da economia. O pai podia vender como escravo seu próprio filho.
Para eles, tudo era deus, menos o próprio Deus, assim como na Grécia antiga. Admitia-se todas as religiões, menos o cristianismo e o paganismo antropófago dos druidas.
2. TRIUMVIRATO I (60 a.C.)
Após sucessivas guerras civis, golpes e revoltas na Roma Antiga, o Império se encontrava em praticamente uma anarquia. O 1º Triumvirato apareceu como uma solução a curto prazo naquele momento e consistia em uma aliança secreta entre os generais Crasso, Pompeu e Júlio César.
Crasso - Ganhou a guerra contra o gladiador Espártaco[1]; governou a Síria; na guerra contra os partos[2] acabou sendo derrotado e morto pelo general do rei Orodes.
Pompeu - Dominou a Hispânia; derrotou o restante de rebeldes aliados à Espártaco, que Crasso derrotara; exterminou piratas na região da Cicília e concluiu uma antiga guerra contra Mitríades, rei do Ponto[3]. Tendo por essas façanhas recebido o título de "Grande".
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| Júlio César, Crasso e Pompeu |
[1] Liderou a maior revolta de escravos de Roma.
[2] Hoje parte do Oriente Médio e Ásia Central e Ocidental.
[3] Atual península da Turquia.
[4] Hoje consiste em algumas partes da Bélgica, da Alemanha e o norte de Itália.
[5] Se estendia do atual norte da Albânia até a Itália, Croácia, Eslovênia, a oeste, e até o rio Sava na atual Bósnia e Herzegóvina, a norte.
[6] Bárbaros pertencentes à cultura celta.
[7] Grupo de povos germanos.
[8] Inglaterra, Escócia e País de Gales.
2.1. GUERRA JÚLIO CÉSAR x POMPEU (49 a.C.)
Pompeu, incomodado com a crescente popularidade de Júlio César entre o povo e o exército, pediu que Júlio César liberasse seu exército e que deixasse o governo das Gálias. Por outro lado, César quis obrigar Pompeu a renunciar seus governos.
Quando finalmente Júlio César atravessa o Rio Rubicon[9], em sessenta dias ele conquistou toda a Itália. Foi à Hespanha, derrotou exércitos de Pompeu e voltando nomeou-se ditador e cônsul. Após este ocorrido, César identificou que seu rival fugira para Tessália[10], onde o derrotou em Farsalo. Dali Pompeu ainda conseguiu escapar para o Egito, lá foi assassinado.
O Egito estava em uma disputa de trono entre os irmãos Ptolomeu e Cleópatra. César, deu o trono à Cleópatra com reforços de Roma que chegaram na Alexandria. Então, ficou sabendo das invasões de Fárnaces[11] contra o Império Romano. Rapidamente foi em sua direção, o derrotou e escreveu sua famosa frase ao Senado: "Vim, vi, venci.".
Para voltar à Roma, César ainda passou pela África, onde venceu a Batalha de Tapso contra os pompeianos, que conspiravam a favor de Cipião e Catão. Ambos se opunham ao auto proclamado ditador romano.
Quando conseguiu chegar, vitorioso de tantas guerras e batalhas, na "Cidade Eterna", recebeu do Senado todos os poderes e dignidades do Estado; teve o triunfo[12]; proclamaram-no "Pai e Salvador da Pátria", e colocaram a imagem dele entre as estátuas dos deuses no templo de Marte.
César foi extremamente comedido em seu governo. Ele perdoou seus inimigos; empregou muitos cidadãos pobres nas colônias; reergueu numerosas cidades; reformou o calendário; protegeu as letras. Enfim, projetava realizar muitos planos úteis, quando em 15 de março em 44 a.C., o assassinaram numa reunião do Senado, alguns conspiradores sob a liderança de Cássio e Júnio Bruto[13].
[9] Existia, na época, uma lei que impedia qualquer general de travessar o rio com seus exércitos, onde consistia numa fronteira natural entre as Gálias e Roma, pois evitava que grandes legiões ocupassem o núcleo do Império, para que não ameaçasse a estabilidade do poder central.
[10] Atualmente território da Grécia.
[11] Filho de Mitríades.
[12] Uma homenagem pública para prestigiar um comandante militar.
[13] Genro de Catão.
3. TRIUMVIRATO II (43 a.C.)
A notícia da morte de César comoveu o povo romano, que perseguiu os conspiradores obrigando-os a fugir.
Após novas crises sem precedentes no Império, formou-se então uma uma nova aliança política entre Marco Antônio, Lepido e Otávio[14]. Os três comandaram assassinatos contra muitos amigos e inimigos, e, indo em direção ao Oriente, derrotaram Cássio e Bruto nas planícies de Filipo na Macedônia[15].
Antônio e Otávio dividiram entre si o Império, deixando apenas a África para Lepido.
Antônio no Oriente, depois de fascinado por Cleópatra, empreendeu guerra contra Partos.
Dentro de pouco tempo, Otávio se tornou senhor da Itália vencendo Lepido e Sexto Pompeu [16].
Por fim, Otávio e Antônio entraram em guerra. A última batalha entre os dois foi em Áccio [17], na qual Antônio saiu perdedor e posteriormente fugiu para o Egito, onde suicidou-se. Cleópatra, que fora presa por Otávio, se suicidou com o veneno de uma víbora chamada áspide, afim de fugir da vergonha de reconhecer o triunfo do vencedor.
[14] Sobrinho de César.
[15] Atualmente região da Grécia.
[16] General romano e filho mais novo de Pompeu.
[17] Atualmente região da Grécia.
4. IMPERADOR AUGUSTO (27 a.C.)
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| Imperador Augusto |
Após se ver livre de seus oponentes, Otávio se ocupou de dar uma organização regular em seu governo. Restaurando, aparentemente, todas as tradições da República, reuniu em si mesmo todos os poderes de Roma. Se auto intitulou "imperador perpétuo", e o de "Augusto", que até então só se dava aos deuses.
Instituiu a guarda pretoriana[18]; reconstruiu a cidade; mandou fazer o recenseamento[19]; multiplicou os espetáculos, e, por causa de seus incentivos à literatura e às artes, a época ficou conhecida como o Período Áureo da literatura latina.
No ano trinta do seu reinado, o mundo estava em paz, quando se realizou o maior dos acontecimentos da história: o Nascimento de N. S. Jesus Cristo.
[18] Criada inicialmente para sua proteção pessoal.
[19] O censo, através dos censores, determinava os cidadãos e seus respectivos bens para colher posteriormente impostos.
(Compêndio da História Universal, 4ª Edição, S. Paulo, 1907 do Pe. Rafael Galante, pgs. 91-93)


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